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Maria Christina Mendes Caldeira (@mentesemliberdade)

Observador desde 22/07/2011

Maria 

Para quem não me conhece, deixe me apresentar: Muito Prazer, Maria Christina. Sim sou uma Mendes Caldeira e por isso carrego toda a carga que o nome pode sugerir. Mas antes de tudo gosto de saber que conquistei o direito de ser nada nem ninguém além de Maria Christina. 
Dia 31/12/2009 completo 44 anos. Com eles surgiram algumas rugas indiscretas que insistem em se instalar onde antes tudo era plano, e o cansaço que se manifesta mais decidido me cobrando as horas de sono que insisto em cabular.
Também vieram experiências que me enriqueceram espiritualmente e novos caminhos que se abrem e me induzem a seguir adiante em busca do que ainda não conquistei nesse breve espaço de tempo. Meus 44 anos...
Parece pedante, obra de uma socialite, como insistem em me rotular aqueles que pouco sabem sobre mim, escrever uma biografia. O que teria a dizer?
Mais que uma auto-reflexão, contar minha história de vida pode apresentar a outras Marias um novo olhar sobre o que é a vida por trás dos contos de fada, nos bastidores de uma tribo onde a sujeira é escondida sob a tapeçaria.
Em nossas trajetórias a diferença está no meio de transporte. De qualquer forma chegaremos lá.
Em minha nudez me identifico com outras, que assim como eu anseiam por conseguir o que lhes é de direito e que diariamente são testadas pela dificuldade da simples condição de ser mulher.
É, não conheço as agruras de uma dona de casa. Nunca lavei minha própria roupa, cozinhei para marido, ou peguei um ônibus para ir trabalhar. Também não sei o que é estar na fila de um posto de saúde com o filho queimando de febre sem nenhum médico pra me atender. 
Nasci em berço esplêndido. 
Freqüentei as melhores escolas, conheci castelos, reis e rainhas e da infância de princesa, não sinto saudades do cor de rosa que me cercava, mas do cheiro de mato da fazenda, do pé descalço e da inocência que me fazia acreditar que se ama a essência e não o embrulho.
Como herança mais do que dinheiro e passaporte livre para o universo dos que o têm, trago comigo a liberdade de fazer escolhas, de me indignar com o que não acho correto, e de ser responsável por minhas atitudes.
Não me escondo atrás de nome ou de dinheiro. Eu faço o que quero. 
E o que quero agora é não mais me calar e fazer quem sabe alguma diferença.
Por que não?

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