Gabriel Sousa Marques de Azevedo é um mineiro, de Belo Horizonte, da Dona Carminha e do Sô Gilsu. Gabriel não é índio, tampouco carioca, mas vive desde que nasceu entre Tupis e Rio de Janeiro. Não é do interior, mas foi criado pelo interior. Precisamente, pela Araguari da mãe e pela Pirapora do pai. E como ele nasceu num tabuleiro de xadrez (planejado por Aarão Reis com ângulos de 90º e 45º), não anda, movimenta-se. Foi educado no Instituto de Educação até resolver adotar a boina garança como estilo de vida. Jurou ser honrado cidadão da sua pátria, além de empregar o verbo cavalgar e voar à espécie humana. Queria ser general, mas viu que era impossível para um camaleão vestir-se sempre de verde-oliva. Até pensou em arquitetura e urbanismo, mas é suficientemente prudente para não desafiar tanto a gravidade. Aí, viu que o que ele mais gosta é criar, mesmo que seja caso. E, como fala pelos cotovelos, foi cursar comunicação na PUC-Minas. Não satisfeito com a publicidade, resolveu estudar jornalismo. Talvez por influência do Doutor Gilson, tratou de estudar para ser dotô também, mesmo que o direito seja tão somente uma mania de civilidade. É cavalariano por convicção e adotou as penas e o bico por ideologia. Na política é ex-alguma coisa e candidato a outro treco, sem medo de ser feliz. Cliente assíduo da Casa Cabana, do Café do Palhares, da Cantina do Lucas, do Bolão e do Mercado Central. É desses que acredita na força da razão e do senso de dever. Tem certa compulsão pelos doces de confeitaria e de estar conectado até enquanto dorme ou toma banho. Se Fernando Sabino o conhecesse, iria escrever a continuação do grande mentecapto. Como todo mineiro, adora curvas, reentrâncias e saliências. Calça chinelo de dedo com a mesma desenvoltura com que usa colete, relógio de bolso, fedora ou panamá. Possui mania compulsiva por praça, tenha ela paralelepípedos, palmeiras ou apenas banquinhos. Apesar de tanto palanque, se sente muito mais à vontade numa trincheira. Nasceu em 12 de março de 1986, embora relutem em acreditar nisso. Alvinegro, adora devorar um tropeiro no Mineirão e torce para ver o Galo Campeão. Ele fala uai, é diferente e não assina, possui marca registrada. É o primeiro mineiro não modesto da história e considera isso uma evolução da espécie. Está sempre em busca da próxima batalha e da próxima bandeira. Faz dos amigos uma paleta para a própria tela, caprichando nas nuances. E como ele não faz questão de saber de onde veio, onde está e para onde vai, caminha, sem dizer o que faz, nem o que vai fazer. Do jeito dele.

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