USP, “Quando a autoridade acaba entra o poder – H. Arendt” em sua mais violenta, expressiva e flagrante forma de manifestação.
Fica, no mínimo, estarrecedor perceber a estupidez em: tanto ver universitários depredando ou tomando instalações; quanto, sendo colocados sob o jugo da violência; da polícia, presos e submetidos a processos criminais. Mormente em uma conjuntura em que o Estado se esfacela e desmoraliza justamente pela insegurança jurídica que ocasiona pelas chicanas que usa e abusa atropelando o Direito a que democrática e republicanamente deveria se sujeitar.
Por que negar o braço de contenção do Estado – via violência – estendido ao campus?
O crime seja em um palácio, mansão, gabinete de reitor, sala de aula, campus ou favela não pode ter espaço privilegiado nos limites que delineiam o território de um Estado de Direito.
Não há espaço na Terra para a liberdade tida em absoluto enquanto for ocupada por mais de um; dois já a limita; ou seja, não há liberdade fora da lei, onde não vige o Direito, mas sim a força.
Se ao Estado, em nome do povo, cabe a educação formal, não descabe, em nome do próprio povo, a preservação da informal de cunho na moralidade que não se confunde com a hipocrisia moralista.
Algo não vai bem, ou, tudo vai mal. Mas, o quê?
Desde os idos tempos de uma universidade federal que não encontro razões para estudantes – seja qual for o nível – se envolverem em atividades estranhas e fora do campus e do campo do conhecimento. Não estão preparados para a ação política no sentido de influir nos destinos do Estado, preparam-se.
Falta respeito. A essência da autoridade é o respeito mútuo. E sem ele não há a indispensável autoridade que sustenta um campus. Autoridade pode ser algo pessoal, distinto do poder. Investida em pessoas, “…por exemplo, na relação entre a criança e seus pais, entre aluno e professor- ou, pode ser investida em cargos como, por exemplo…” Reitor; ou ainda em postos hierárquicos da Igreja. “Sua insígnia é o reconhecimento inquestionável daqueles a quem se pede que obedeçam;…”. Desnecessário se tornam fontes de coerção e persuasão. Um pai pode perder a autoridade em relação ao filho tanto batendo, quanto discutindo; comportando-se seja como tirano, ou o tratando como igual.
Há uma degenerescência do Estado com a perda da autoridade, via governantes, que ostensiva e impunemente e mesmo sob a efusiva defesa de pares e prócer, desrespeitam a lei.
Estudantes não são, por serem, seres alienados. Contagiam-se e passam a desconfiar, desacreditar na autoridade, e, em grupo e agrupados confundem o vigor da juventude com poder, contrariados em suas vontades libertárias (recusam-se a enfrentar as coisas como elas realmente são) de mudar o que não pode ser mudado por irracionais, explodem em raiva e violência.
Contra que, e o quê?
-Uma Burocracia de Ninguém, “a última e talvez mais formidável forma de dominação.”
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