Sobre greve. Interessante, mais que interessante.
Os mesmos que destilam inveja, despreparo, preguiça, frustração e preconceito; são os mesmos que reclamam da não prestação pelo Estado da saúde, educação e segurança enquanto expressos deveres constitucionais.
Falam e bradam impulsiva e irresponsavelmente dando azo a uma mediocridade que avilta a cidadania pátria. Em seguida calam e retornam para a penumbra de seus covis.
Fui durante quase meio século um funcionário federal CONCURSADO amargando, hoje, uma miserável aposentadoria de nível superior de fim de carreira. Valor nominal líquido que mal supera dois mínimos globalizados e civilizados. Observo o que se passa a minha volta nos demais níveis estaduais e municipais: uma covarde indignidade frente à demagogia política da estupidez e escárnio de um surrealista assistencialismo governamental.
Por várias vezes e mais especificamente há poucos dias na internet e em vários Blogs editei o comentário que segue rebatendo um editorial de O Globo contra a greve no serviço público e ninguém, nenhum desses que imprecam contra o funcionalismo tiveram coragem moral para contraditar objetivamente. Seguem em seus brados retumbantes o clamor da turba sem saber para onde.
Não querem greve no serviço público, liquidemos de vez com a ficção constitucional Estado de Direito, democrático e republicano que tem por cabeça e membros, necessariamente, servidores politicamente independentes e profissionais .
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“Greves, O Globo e a manipulação da verdade: preconceito, tendenciosidade e falsidade”
(Um pouco de agitação confere ânimo às almas e o que faz verdadeiramente prosperar a espécie é menos a paz que a liberdade – Rousseau, Jean-Jacques)
Mostro – como solicitado e sem desqualificações primárias – a Cara metade do Globo em todas as nuances afirmadas: preconceito, tendenciosidade e falsidade.
Julgando que estou no meio de seres racionais, antes, trago uma advertência de Rousseau em “O Contrato Social”:
“Advirto o leitor que este capítulo deve ser lido pausadamente e que desconheço a arte de ser claro para quem não quer prestar atenção.”
Letra a letra do pinçado:
a) “…uso da população como refém,”
- Quem é essa população? Terá um empresa em um sistema econômico do capital procuração para falar em nome da população? Essa população é constituída de quê, somente de empresários ? Para responder, não se olvide o conceito de “população” em economia: força de trabalho.
Duvido muito desse “grave clamor social”. Incômodo tão necessário como a dor para a doença, sim. Pois, ainda com Rousseau: “Nunca se corrompe o povo, mas o engana muitas vezes e é então que ele parece desejar o mal”.
A propósito do suposto insuportável antagonismo social foi que escrevi:
“Não basta fazer greve. Tem que parecer. Ninguém aqui falou em greve e o noticiário, estranhamente, pouca coisa também.
Caminhoneiros começam a paralisar, outras no serviço público, Educação, Saúde e PF por exemplo, seguem surdamente. Surgem os arautos da legalidade imprecando contra os grevistas. Avocam onde o calo mais aperta: direito de ir e vir; o tal confortável e gostoso “jus eundi”.
Sem respeito à lei não há sociedade, não há Estado. Justamente por isto é que considero o instituto jurídico da greve legítimo, moral. Pois, é o último recurso do fator trabalho contra o capital pela recusa deste em ouvir apelos contra o que está sufocando seu mais importante aliado. O sentimento da raiva como qualquer outro, e toda greve é raiva, é violência explode sempre quando o trabalhador sabe que o que pode ser mudado não o é. Paralelo a isto, é preciso perceber que trabalhador não é o outro, somos todos. Nestes exatos termos, uma greve nada mais é que um pedido de socorro, de apoio da sociedade, que, para ser acordada de seu confortável egoísmo letárgico, precisa sim ser afetada, incomodada, participativa.”
b) “É preciso negociar para que não ocorra o pior. Entenda-se por pior a concessão generalizada de reajustes…“
- Reajuste será o pior? Pior para quem? Para quem efetivamente conhece o serviço público não é, mas, ainda que seja, pretender um mais levado patamar salarial é crime? Não será isto natural no regime do capital para o fator trabalho?
Proudhon: “A intervenção do estado na economia retira do homem a necessidade que o impulsiona, pois, afasta dele o estímulo do lucro e a febre do parecer social transferindo para o Estado a conseqüência de sua confortável paralisia.
- Sim, deve dizê-lo, a despeito do quietismo moderno: a vida do homem é uma guerra permanente, guerra com a necessidade, guerra com a natureza, guerra com seus semelhantes, por conseguinte , guerra consigo mesmo.” Diz também:
“Quando se reconhece o direito de regulamentar o trabalho segundo o argumento de necessário em algumas circunstâncias especiais “quando o perigo for muito grande e as garantias insuficientes, o que quer dizer sempre” o legislador não aguarda a ocorrência dos fatos, das anormalidades que supõe e por leis permanentes e exageradas no mais das vezes protege de modo legal toda uma classe financeira e territorial com evidente represamento e assoreamento da pequena propriedade”
c) “intenção da presidente Dilma ampliar as desonerações e privilegiar os investimentos, públicos e privados, terá de endurecer com os servidores, tradicional base do PT.”
Penso que não há que exigir genialidade para compreender a verdade de HORKHEIMER e ADORNO: “…a economia, ao invés de dominar os homens, deve servi-los…é pronunciada exatamente por aqueles que nunca quiseram que se entendesse por economia outra coisa que os interesses de seus próprios financiadores.”
Quanto a “endurecer” a precisa observação que segue é definitiva e preocupante:
“Substituir o poder pela violência pode trazer a vitória ,mas o preço é muito alto; pois ele não é apenas pago pelo vencido mas também pelo vencedor, em termos de seu próprio poder – H. Arendt”
Greve, furtar-se voluntariamente ao trabalho, é violência natural e sempre afetará a todos. “Que a violência frequentemente advenha da raiva é um lugar-comum, e a raiva pode ser irracional ou patológica, mas isso vale para qualquer outro sentimento humano – H. Arendt”
d) “…privilegiados no governo Lula, com generosos aumentos salariais. Deve haver disparidades no universo do funcionalismo. Mas nada que justifique aumentos generalizados de dois dígitos percentuais.”
Não é que “deve haver disparidades, existem fortes e criminosas disparidades que se não forem corrigidas levarão ao caos o que já estão em crise.
Os ”privilégios” de Lula estão sim nas terceirizações, ONGs, Aloprados, desrespeito ao concurso público e mesmo retirada da CF do instituto da isonomia, ou seja e me síntese; aparelhamento do Estado em todos os níveis e poderes.
Por oportuno: o salário mínimo nos Estados capitalistas civilizados e globalizados é algo em torno de R$ 3.000,00. Por que o do Brasil é cinco (5) MENOR? Qual a consequência moral e econômica disto?
É fácil e bem mais politicamente confortável transferir ganhos do trabalho para o ócio e o vício via assistencialismo governamental que tirar do capital, dos juros e do lucro em perfeita consonância com a praticidade dos ensinamentos de Maquiavel.
Tem algo a dizer?
3 opiniões publicadas
O que você tem a dizer?Por roberto argento filho argento, em 15/08/2012 às 14:51
Por Jose Reis Barata Barata, em 15/08/2012 às 09:35 / 1 opinião. Sobre greve. Interessante, mais que interessante. TAMANHO DA FONTE: A-A+ Sobre greve. Interessante, mais que interessante. Os mesmos que destilam inveja, despreparo, preguiça, frustração e preconceito; são os mesmos que reclamam da não prestação pelo Estado da saúde, educação e segurança enquanto expressos deveres constitucionais. Falam e bradam impulsiva e irresponsavelmente dando azo a uma mediocridade que avilta a cidadania pátria. Em seguida calam e retornam para a penumbra de seus covis. Fui durante quase meio século um funcionário federal CONCURSADO amargando, hoje, uma miserável aposentadoria de nível superior de fim de carreira. Valor nominal líquido que mal supera dois mínimos globalizados e civilizados. Observo o que se passa a minha volta nos demais níveis estaduais e municipais: uma covarde indignidade frente à demagogia política da estupidez e escárnio de um surrealista assistencialismo governamental. Por várias vezes e mais especificamente há poucos dias na internet e em vários Blogs editei o comentário que segue rebatendo um editorial de O Globo contra a greve no serviço público e ninguém, nenhum desses que imprecam contra o funcionalismo tiveram coragem moral para contraditar objetivamente. Seguem em seus brados retumbantes o clamor da turba sem saber para onde. Não querem greve no serviço público, liquidemos de vez com a ficção constitucional Estado de Direito, democrático e republicano que tem por cabeça e membros, necessariamente, servidores politicamente independentes e profissionais . xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx “Greves, O Globo e a manipulação da verdade: preconceito, tendenciosidade e falsidade” (Um pouco de agitação confere ânimo às almas e o que faz verdadeiramente prosperar a espécie é menos a paz que a liberdade – Rousseau, Jean-Jacques) Mostro – como solicitado e sem desqualificações primárias – a Cara metade do Globo em todas as nuances afirmadas: preconceito, tendenciosidade e falsidade. Julgando que estou no meio de seres racionais, antes, trago uma advertência de Rousseau em “O Contrato Social”: “Advirto o leitor que este capítulo deve ser lido pausadamente e que desconheço a arte de ser claro para quem não quer prestar atenção.” Letra a letra do pinçado: a) “…uso da população como refém,” - Quem é essa população? Terá um empresa em um sistema econômico do capital procuração para falar em nome da população? Essa população é constituída de quê, somente de empresários ? Para responder, não se olvide o conceito de “população” em economia: força de trabalho. Duvido muito desse “grave clamor social”. Incômodo tão necessário como a dor para a doença, sim. Pois, ainda com Rousseau: “Nunca se corrompe o povo, mas o engana muitas vezes e é então que ele parece desejar o mal”. A propósito do suposto insuportável antagonismo social foi que escrevi: “Não basta fazer greve. Tem que parecer. Ninguém aqui falou em greve e o noticiário, estranhamente, pouca coisa também. Caminhoneiros começam a paralisar, outras no serviço público, Educação, Saúde e PF por exemplo, seguem surdamente. Surgem os arautos da legalidade imprecando contra os grevistas. Avocam onde o calo mais aperta: direito de ir e vir; o tal confortável e gostoso “jus eundi”. Sem respeito à lei não há sociedade, não há Estado. Justamente por isto é que considero o instituto jurídico da greve legítimo, moral. Pois, é o último recurso do fator trabalho contra o capital pela recusa deste em ouvir apelos contra o que está sufocando seu mais importante aliado. O sentimento da raiva como qualquer outro, e toda greve é raiva, é violência explode sempre quando o trabalhador sabe que o que pode ser mudado não o é. Paralelo a isto, é preciso perceber que trabalhador não é o outro, somos todos. Nestes exatos termos, uma greve nada mais é que um pedido de socorro, de apoio da sociedade, que, para ser acordada de seu confortável egoísmo letárgico, precisa sim ser afetada, incomodada, participativa.” b) “É preciso negociar para que não ocorra o pior. Entenda-se por pior a concessão generalizada de reajustes…“ - Reajuste será o pior? Pior para quem? Para quem efetivamente conhece o serviço público não é, mas, ainda que seja, pretender um mais levado patamar salarial é crime? Não será isto natural no regime do capital para o fator trabalho? Proudhon: “A intervenção do estado na economia retira do homem a necessidade que o impulsiona, pois, afasta dele o estímulo do lucro e a febre do parecer social transferindo para o Estado a conseqüência de sua confortável paralisia. - Sim, deve dizê-lo, a despeito do quietismo moderno: a vida do homem é uma guerra permanente, guerra com a necessidade, guerra com a natureza, guerra com seus semelhantes, por conseguinte , guerra consigo mesmo.” Diz também: “Quando se reconhece o direito de regulamentar o trabalho segundo o argumento de necessário em algumas circunstâncias especiais “quando o perigo for muito grande e as garantias insuficientes, o que quer dizer sempre” o legislador não aguarda a ocorrência dos fatos, das anormalidades que supõe e por leis permanentes e exageradas no mais das vezes protege de modo legal toda uma classe financeira e territorial com evidente represamento e assoreamento da pequena propriedade” c) “intenção da presidente Dilma ampliar as desonerações e privilegiar os investimentos, públicos e privados, terá de endurecer com os servidores, tradicional base do PT.” Penso que não há que exigir genialidade para compreender a verdade de HORKHEIMER e ADORNO: “…a economia, ao invés de dominar os homens, deve servi-los…é pronunciada exatamente por aqueles que nunca quiseram que se entendesse por economia outra coisa que os interesses de seus próprios financiadores.” Quanto a “endurecer” a precisa observação que segue é definitiva e preocupante: “Substituir o poder pela violência pode trazer a vitória ,mas o preço é muito alto; pois ele não é apenas pago pelo vencido mas também pelo vencedor, em termos de seu próprio poder – H. Arendt” Greve, furtar-se voluntariamente ao trabalho, é violência natural e sempre afetará a todos. “Que a violência frequentemente advenha da raiva é um lugar-comum, e a raiva pode ser irracional ou patológica, mas isso vale para qualquer outro sentimento humano – H. Arendt” d) “…privilegiados no governo Lula, com generosos aumentos salariais. Deve haver disparidades no universo do funcionalismo. Mas nada que justifique aumentos generalizados de dois dígitos percentuais.” Não é que “deve haver disparidades, existem fortes e criminosas disparidades que se não forem corrigidas levarão ao caos o que já estão em crise. Os ”privilégios” de Lula estão sim nas terceirizações, ONGs, Aloprados, desrespeito ao concurso público e mesmo retirada da CF do instituto da isonomia, ou seja e me síntese; aparelhamento do Estado em todos os níveis e poderes. Por oportuno: o salário mínimo nos Estados capitalistas civilizados e globalizados é algo em torno de R$ 3.000,00. Por que o do Brasil é cinco (5) MENOR? Qual a consequência moral e econômica disto? É fácil e bem mais politicamente confortável transferir ganhos do trabalho para o ócio e o vício via assistencialismo governamental que tirar do capital, dos juros e do lucro em perfeita consonância com a praticidade dos ensinamentos de Maquiavel.
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Por roberto argento filho argento, em 15/08/2012 às 14:53
@argento: Continuo insistindo: O buraco é mais embaixo do que sonha a vã filosofia ... se o cracker está longe ou perto impota menos; importa mais a "seletividade" ... Convém não esquecer de copiar o postado para a área, por enquanto, segura.
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Por Seu Creysson, em 15/08/2012 às 09:35
Neste embate dos trabalhadores públicos versus contenção de gastos pelo Estado, a justiça vai depender simplesmente da quantidade: percentual justo de reajuste; impacto deste percentual nas contas do Orçamento estatal; e demais números contábeis. Que sentem à mesa, pois, e negociem o impasse para pôr fim à greve, que prejudica os alunos, que não têm nada a ver com a situação salarial dos funcionários em greve.
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