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Cultura

Por José Antônio da Conceição, em 13/07/2012 às 13:56  / 1 opinião.

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    Por roberto argento filho argento, em 13/07/2012 às 13:56

    Por José Antônio da Conceição, em 13/07/2012 às 12:49 / opine. FANTASIA – Capítulo 5 Dirceu de Candinha gosta de um bom papo. Apareceu por aqui hoje e me ajudou a molhar a horta prá gente poder conversar. Dirceu nasceu lá no sertão e não tem mais parentes desde que veio de lá. Só Candinha e os filhos que eles tiveram por aqui mesmo. Veio andando, pela linha do trem, dormindo ao relento e pedindo um prato de comida aqui ou acolá. Dirceu é pretinho que nem um tziu. Chega a lumiar com a luz do sol que nem um tziu lumia. Me contou hoje sua chagada nestas bandas muito tempo atráz. Disse que quem se conpadeceu dele e arranjou comida, um cantinho pra dormir e trabalho, foi o Coronel Zé dos Anjos. Mas antes o Coronel Zé dos Anjos quis saber se ele era trabalhador ou não. O método para saber isso, que o Coronel utilizou é muito estranho. Agachou atrás do Dirceu e disse assim: péra aí que vou dar uma apertadinha no piador. Piador que o Coronel disse é aquele tendão logo acima do calcanhar e antes de começar a carne da canela. Ah… piador fino. Muito bom. Homem do piador grosso quase sempre é preguiçoso e cansa antes de nove horas da manhã. Ocê Dirceu é do tipo que serve pra mim… vamo imbora lá pra fazenda. E o Dirceu foi. Outra coisa que Dirceu contou durante a prosa foi sobre o casamento de Petrina. Um horror. Dizem que o pai dela chegava de repente na sala onde o casal de namorados se encontrava e conversava, sentava-se ao lado do namorado bem juntinho, ficava um meio minuto ali e depois passava para o outro lado do rapaz, novamente bem juntinho, trocando prosa. Na verdade ele estava verificando se a madeira do longo banco estava “quente”. Contou-me o Dirceu de Candinha que certo dia o namorado despediu-se e foi embora, e Petrina foi lá fora “fazer alguma necessidade” atrás da moita de bananeiras. A pessoa que foi lá fora encontrou Petrina e o namorado lá no fundo do quintal, ele havia voltado para dentro da propriedade passando pela cerca de arame farpado. O trem que vinha do sertão passava na estação antes das seis horas da manhã. Petrina, o pai e a mãe dela, o irmão mais velho e também o namorado entraram no trem com destino à cidade mais próxima, meia hora de trem ou duas a três horas de caminhada pela linha férrea, em direção à capital. Lá chegando, desceram, aguardaram o cartório abrir e conversaram com o Juiz e com o Escrivão. Comenta-se até hoje, que Petrina jurou não ter havido nada entre os dois. Um médico foi chamado e a examinou. Confirmou a virgindade. O Juiz ponderou e aconselhou. Petrina e seus acompanhantes pegaram o trem de volta. Tudinho igual na ida, só que Petrina tinha mudado de estado civil. Estava casada, aos treze anos de idade. http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/cultura/forum/topic/fantasia-capitulo-1 http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/cultura/forum/topic/fantasia-capitulo-3 http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/cultura/forum/topic/fantasia-capitulo-4

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