Brasil

Por Observador Conteúdo, em 06/08/2012 às 11:20  / 6 opiniões.

ProUni fortalece faculdades de fachada, diz professor da Unicamp

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A expansão do ensino superior durante os governos Lula e Dilma foi quantitativamente ampla, tanto para as universidades públicas quanto para as privadas, mas a falta de um crescimento da qualidade na mesma proporção, é o que quesitona o professor e sociólogo da Unicamp Ricardo Antunes em seu artigo publicado na seção Tendências e Debates no jornal Folha de S. Paulo. Os pobres, segundo Antunes, são tolhidos em larga escala das universidades públicas – uma vez que frequentam o ensino fundamental em escolas públicas, que se encontram destroçadas -, o governo Lula encontrou uma saída bárbara: reuniu-os nos espaços privados do ProUni. O professor questiona que enquanto isso, nas federais, os salários são baixos, a carreira mal estruturada.

Veja a íntegra do artigo:

A expansão do ensino superior durante os governos Lula e Dilma foi quantitativamente ampla, tanto para as universidades públicas quanto para as privadas. O primeiro grupo vivenciou uma expansão dos campi muito significativa, através da profusão de cursos -muitos dos quais, entretanto, pautados pela razão instrumental, de qualidade duvidosa e em sintonia com a era da flexibilidade.

O segundo grupo viu o governo do PT mostrar também um lado generoso em relação aos mercados. Faculdades em sua grande maioria de fachada, autodefinidas como “instituições do ensino superior”, carentes de rigor científico mínimo em sua docência e pesquisa (esta, salvo raras exceções, inexiste neste ramo empresarial), tiveram seus cofres inflados com o ProUni.

Já que os pobres são tolhidos em larga escala das universidades públicas -uma vez que frequentam o ensino fundamental em escolas públicas, que se encontram destroçadas-, o governo Lula encontrou uma saída bárbara: reuniu-os nos espaços privados do ProUni. De outra parte, deu-se positivamente a ampliação das universidades públicas, através da expansão dos cursos nas instituições federais e da contratação significativa de docentes. Mas o governo o fez deslanchando o Reuni, programa de expansão das universidades federais.

Constrangidos pelo produtivismo (anti)acadêmico e calibrados pela competição, há precarização de condições de trabalho. Os salários são baixos. A carreira, mal estruturada. Mas o governo não contava que essa ampliação quantitativa tivesse fortes consequências qualitativas: a nova geração de jovens professores, doutores em sua grande maioria, parece não aceitar sem questionamentos esse lado perverso do Reuni, que quer assemelhar universidades públicas àquelas onde viceja o ProUni.

Dando aulas muitas vezes em galpões, sem salas de professores (quando há, sem condições de pesquisar), os docentes, cujos adoecimentos e padecimentos, para não falar de mortes, não param de se ampliar, decretaram uma ampla e massiva greve nas federais. Querem melhores salários, condições de trabalho dignas e carreira efetivamente estruturada. Os conservadores dizem, tentando mascarar o desejo pela completa privatização, que a greve dos docentes públicos é uma forma de “receber sem trabalhar”. “Esquecem” algo elementar: qual docente, no juízo razoável de suas faculdades, quer arrebentar seu calendário e repor aulas quando deveria estar em férias?

Só mesmo as vozes conservadoras podem identificar uma greve, com suas atividades, assembleias, debates, desgastes, riscos e tensões, como “descanso remunerado”, argumento histórico das direitas derrotado pela Constituição de 1988. Para muitas dessas vozes, a pesquisa e a reflexão livres incomodam. Elas gostariam de privatizar as federais, convertendo-as ou em universidades profissionalizantes ou, ao menos parte delas, em “universidades corporativas”, uma flagrante contradição, pois universalidade não rima com corporação.

Há um segundo ponto importante: muitos alegam que é preciso investir no ensino básico, o que os leva a recusar o apoio à universidade pública. Mas alguém seriamente acredita que aqueles que querem destroçar a universidade pública querem, de fato, um ensino básico público, laico e de qualidade?”

Artigo  publicado no jornal Folha de S. Paulo

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    6 opiniões publicadas

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    Por José Antônio da Conceição, em 17/08/2012 às 09:08

    SOBRE AS CAUSAS DOS RENDIMENTOS ACADÊMICOS INSATISFATÒRIOS http://www.observadorpolitico.org.br/2012/04/sobre-as-causas-dos-rendimentos-academicos-insatisfatorios/

    Por Seu Creysson, em 08/08/2012 às 11:09

    Ótimas perguntas para ficarmos de olho nos interesses de cada grupo, quais são e em quais direções apontam.

    Por mario jota, em 06/08/2012 às 14:52

    Quando uma verdade cristalina é postada aquí no OP que mostra as verdadeiras obras deste governo e do anterior do Lula, os petistas daqui do OP somem..............perdem o jeito e a coragem. Quando conseguem manipular um fato a favor do PT, aparecem!!!!!!!!!!!!!!

    Por erikssom patos, em 06/08/2012 às 14:32

    Uma grande curiosidade e quem souber responda por favor. Até poucos dias atras o governo federal estava com uma propaganda em nivele nacional sobre o ProUni, nesta é feito um destaque de que já foi contemplado 1 milhão de estudantes durante o governo Lula e agora o de Dilma. Se a gente for pegar essa quantidade e dividir pelos 10 anos dá em média 100 mil estudantes por ano. Se formos observar a media de matriculas de estudantes que entram nas UFs, que gira em média de 1,5 milhão de alunos por ano, esse universo de alunos do ProUni é muito pequeno para a grande propaganda que veicula pelo governo. Isso é ridículo. Seria esses programas apenas de fachada, apenas para justificar propagandas governamentais?!

    Por augusto josé sá campello, em 06/08/2012 às 13:36

    Boa tarde. Há, de minha parte, um cansaço em discutir seja o que for, relativo a Educação. No meu modo de pensar, fatiar a Educação ao longo de suas etapas, da Pre Escola ao Doutorado, não leva senão a mascaramento. Pro isso, Re aquilo, me parecem remendos. Ajscampello

    Por Dmitri Razumikhin, em 06/08/2012 às 12:07

    A çabidiria popula é que conta, cumpanhêro.