Pensar a estruturação da saúde coletivamente é um desafio. Sabemos que para planejar ações de saúde é preciso conhecer o diagnóstico situacional, os números de mortos, as principais causas, as principais doenças. Saiba você, jornalista em busca de pautas, ou até mesmo curioso cidadão comum que pode obter muitos dados de informações como: qualidade de vida, assistência à saúde ou internações pelo SUS, pela internet. Existe um sítio dentro do site do Ministério chamado TABNET que é um Portal de informações compiladas pelo DATASUS (Departamento de Informática do SUS) que reúne informações sobre estatísticas de saúde no Brasil e assistência hospitalar. Esse Portal de informações é alimentado pela rotina de coleta de dados nos preenchimentos de fichas de pré atendimento hospitalar ou dados de nascidos vivos ou das certidões de óbito. São informações muito úteis e no geral fidedignas. Vejam por exemplo pesquisa que realizei, como demonstração, as principais causas de mortes no Brasil no ano de 2010.

Vejam que dos mais de 1,3 milhão de mortos no Brasil em 2010, quase um terço foi por doenças do sistema circulatório, que inclui os infartos do miocárdio e acidentes vascular cerebral, em segundo lugar estão as neoplasias (cancer) e em terceiro as causas externas, que em geral somam-se os acidentes automobilísticos, homicídios e constitui-se no grande grupo das mortes traumáticas e de cidadãos em idade economicamente ativa.
Outra pesquisa que realizei, também só a título de curiosidade, foi as principais causas de internação pelo SUS no ano de 2011

- Fonte: Ministério da Saúde – Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS)
Apesar de não constar em primeiro na tabela, pois a tabela divide os partos realizados no centro cirúgico dos outros partos, o parto, quer normal ou cesárea e os procedimentos relacionados, é o procedimento mais realizado pelo SUS no Brasil; seguido dos procedimentos para atendimentos das doenças das vias aéreas superiores e em terceiro lugar pelo tratamento das doenças infecciosas e parasitárias; é claro que na busca que realizei o primeiro e segundo lugar podem estar mal definidos mas existem meios de gerar outras tabelas de modo mais detalhado.
A mensagem principal que gostaria de deixar é que existem meios de se monitorar a saúde no Brasil sem fazer sensacionalismo ou apegar-se a casos isolados para expor a carência da assistência. A busca de informações pelo Portal de informações do DATASUS tornou-se muito mais fácil nos últimos anos, mas reconheço que é ainda difícil para o leigo. Entretanto, se somente estes fossem os que realmente não soubessem extrair tais dados seria aceitável, porém questiono-me quantos Secretários de Saúde dos mais de 5 mil e quinhentos habitantes do Brasil sabem também realizar buscas e fazer pesquisas nesses bancos de dados do Ministério? A especialização em temas de saúde coletiva, com pós graduações, que avança nos grandes centros urbanos ainda tem muita dificuldade em alcançar rincões do interior brasileiro, a nomeação política de Secretários sem a mínima formação em temas de saúde pública é frequente, e não somente nos municípios distantes dos polos de formação. De nada adianta nomear como Secretário da Saúde um experiente médico especialista em cardiologia ou neurocirurgia, se o mesmo não tem formação para pensar a saúde coletivamente. Esse é um desafio que os representantes da municipalidade, conscientes da missão pública, precisarão sensibilizar-se no próximo ano.
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1 opinião publicada
O que você tem a dizer?Por haroldo paixao, em 10/06/2012 às 22:47
Nosso problema são as organizações sociais público-privadas. Os médicos ganham mal, sendo assim, nunca teremos efetivo. E as clínicas particulares agradecem.