Brasil

Por Fernando Henrique Cardoso, em 04/06/2012 às 06:16  / 16 opiniões.

Política e meios de comunicação

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Escrevo esta crônica às vésperas de partir para o Japão e a China, de onde só regressarei depois de publicado o texto, daqui a duas semanas. É sempre arriscado, nessas condições, falar sobre a agenda política. Será mesmo? O marasmo é tão grande que possivelmente, ao voltar e reler os jornais, encontrarei os mesmos temas: a CPI, a corrupção com suas teias enredadas, os candidatos às prefeituras já conhecidos e suas previsíveis alianças, o PIB que cresce pouco, os juros que finalmente começam a cair, a inadimplência dos devedores, as demandas por reformas tributárias, as soluções caso a caso para diminuir os estoques das empresas (principalmente automobilísticas), e assim por diante. Dá até preguiça passar os olhos pelas colunas e notícias da mídia, sem falar das TVs que repetem tudo isso com sabor de press release, emitido seja pelo governo, seja por empresas.

Ainda recentemente, um sociólogo mexicano, falando na Fundação iFHC e se referindo a outro aspecto da mesma questão, disse que o resultado das eleições em seu país independe das campanhas eleitorais. Isso porque, quando a propaganda partidária tem vez na mídia, a “opinião” já está enraizada nos eleitores, pois nos anos anteriores se elegeram os heróis e os vilões cujas virtudes e defeitos foram repetidos todo o tempo, sem contestação crítica. Será muito diferente entre nós? É dessa maneira que se exerce nas modernas sociedades de massa o controle ideológico da opinião, seja pelos governos, seja pelos grupos dominantes na sociedade, econômicos ou políticos.

A sensação do já visto que alimenta a modorra e leva ao tédio e ao descaso com a política é, entretanto, enganadora e perigosa. A despeito de tudo, nem só de manipulação da opinião vive uma sociedade. De repente, quando menos se espera, não são as “forças do mercado” nem o “pensamento único” (que em nosso caso, menos do que neoliberal, é de esquerda desenvolvimentista-autoritária) que comandam a vontade popular. É o que vemos agora na Grécia e na França, onde a vitória de Hollande, a despeito do irrealismo de algumas de suas promessas, ecoa até na alma de Obama e o rígido dogmatismo tedesco, fantasiado de racionalidade de mercado, se vê cerceado por aspirações de outra natureza. Convém, portanto, não sobre-estimar a força das verdades preestabelecidas. Mormente em nossos dias, quando a internet permite que um sem-número de opiniões divergentes circule sem que os leitores ou ouvintes da grande mídia se deem conta.

Não digo isso para aceitar o conformismo vigente em muitos meios de comunicação, até porque, para fazer frente a ele, o desconcerto causado pela variabilidade de opiniões das mídias sociais, e mesmo pela mistura entre lixo eletrônico e real opinião, é insuficiente. Digo-o para alertar: a despeito de parecer que a política, principalmente a partidária, é mais enganação do que afirmação de interesses e valores que podem enfrentar a luz do sol, no final das contas o que decide a nossa vida em sociedade é a política mesmo. Portanto, sensaborona ou não, repetitiva ou não, controlada pelos que mandam ou não, dependemos dela. Nos dias que correm, sobretudo nos regimes democráticos, não há política sem comunicação; logo, é melhor tomar coragem para ler e ouvir tudo o que se diz, mesmo quando partindo de fontes suspeitas.

A precondição para que haja alternativas ao que aí está é manter a liberdade de expressão, mesmo que haja distorções. Isso não exclui uma luta constante contra estas, não para censurá-las, mas para confrontá-las com outras versões. Afastando por inaceitável qualquer tentativa de “controle social da mídia”, o acesso de opiniões divergentes aos meios de comunicação poderia criar um ambiente mais favorável à veracidade das informações.

Por exemplo: será que é democrático deixar que os governos abusem nas verbas publicitárias ou que as empresas estatais, sub-repticiamente, façam coro à mesma publicidade sob pretexto de estarem concorrendo em mercados que, muitas vezes, são quase monopólicos? E que dizer do tom invariavelmente otimista das declarações sobre a superação da crise financeira global oriundas de setores empresariais interessados ou, em nosso caso, da marcha contínua para o êxito econômico reiterada pelos governos? O efeito deletério desse tipo de propaganda disfarçada não é tão sentido na grande mídia, pois nesta há sempre a concorrência de mercado que a leva a pesar o interesse e mesmo a voz do consumidor e do cidadão eleitor. Mas nas mídias locais e regionais o pensamento único impera sem contraponto.

A autenticidade das informações escapa das deformações advindas da influência das forças estatais (inclusive do setor produtivo estatal) e das empresas privadas precisamente pela voz crítica dos setores da mídia independente, por meio de seus repórteres, editorialistas e mesmo dos proprietários que têm coragem de expor opiniões. Não por acaso, é contra estes que os donos do poder político e os partidos que os sustentam se movem: denunciam que é a imprensa que faz o papel da oposição. Até certo ponto isso é verdade. Mais por deficiência dos partidos de oposição, cujas vozes se perdem nos corredores dos Parlamentos, do que por desejo de protagonismo da mídia crítica. Nos países europeus ou nos Estados Unidos, por mais que haja partidarismo nos meios de comunicação ou que por lá prevaleça o mesmismo das notícias que refletem o statu quo, sempre há espaço para o outro lado, para o contraponto. Mal termina de falar o primeiro-ministro da Inglaterra e já a voz da oposição, como tal, é transmitida. O mesmo ocorre quando o presidente dos Estados Unidos faz sua apresentação anual ao Congresso.

Obviamente, não basta haver uma mudança na oferta de espaço pela mídia, é preciso que haja vozes de oposição com peso suficiente para serem ouvidas e se fazerem respeitar. Sem esquecer que nas democracias a voz que pesa politicamente é a de quem busca o voto para se tornar poder.

(Artigo publicado no Estado de S.Paulo, pág. 2, 03/05/2012)

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    16 opiniões publicadas

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    Por Frederico Romanoff do Vale, em 17/07/2012 às 02:25

    Realmente uma das coisas que faltam ao Brasil é uma oposição firme. Um político bom é um político corajoso, não um omisso.

    Por roberto argento filho argento, em 20/06/2012 às 20:05

    "Será muito diferente entre nós? É dessa maneira que se exerce nas modernas sociedades de massa o controle ideológico da opinião, seja pelos governos, seja pelos grupos dominantes na sociedade, econômicos ou políticos." - e o senhor soube e sabe muito bem beneficiar-se disto. "Não digo isso para aceitar o conformismo vigente em muitos meios de comunicação, até porque, para fazer frente a ele, o desconcerto causado pela variabilidade de opiniões das mídias sociais, e mesmo pela mistura entre lixo eletrônico e real opinião, é insuficiente. Digo-o para alertar: a despeito de parecer que a política, principalmente a partidária, é mais enganação do que afirmação de interesses e valores que podem enfrentar a luz do sol, no final das contas o que decide a nossa vida em sociedade é a política mesmo." - e quando a política é má, maus são os resultados "Obviamente, não basta haver uma mudança na oferta de espaço pela mídia, é preciso que haja vozes de oposição com peso suficiente para serem ouvidas e se fazerem respeitar. Sem esquecer que nas democracias a voz que pesa politicamente é a de quem busca o voto para se tornar poder." - e se o mais do mesmo continua dando as cartas, só nos resta assumir o Macunaíma.

    Por Verônica Melo, em 15/06/2012 às 13:03

    Presidente, fico feliz de saber que o Brasil já foi, por duas vezes, governado por V. Excia., que é um Estadista. Quanta saudade. De lá pra cá mergulhamos num pântano moral e ético. Há nove anos vivemos a era da mediocridade. Até falar errado a língua pátria virou virtude. Estamos entregues a embusteiros, falastrões, ladrões do dinheiro público e da nossa esperança. Tudo isso sem oposição. O Brasil tem hoje mais de 40 milhões de eleitores sem rumo (os que não votaram na Dilma). Aécio é um "dandi", que não honra o sobrenome. Serra foi boicotado pelo próprio PSDB. Esse é quase o pior dos mundos.

    Por heleno santos, em 11/06/2012 às 23:32

    Fazem da sociedade massa de manobra, temos que valorizar nossa cultura e investir na educação e ponto, o resto vem naturalmente.

    Por Ricardo Guignoni Neto, em 10/06/2012 às 18:02

    '...é preciso que haja vozes de oposição com peso suficiente para serem ouvidas e se fazerem respeitar.' Igualdade para todos os partidos seria interessante, pois os argumentos se esgotariam com relação a motivos pelos quais alguém ganhou. Mas não vejo mudanças potenciais que igualem forças. Os programas partidários são 'auto promoção' que seguem a risca a ideia de propaganda. Deveríamos sim cobrar mais transparência sobre 'o que fizeram' ou sobre 'o que deixaram de fazer'. Mas quem faria isso? Ou qual partido se habilitaria? Ou ainda 'como fazer? Por enquanto ficamos com os produtos que são vendidos na TV. ........................................Parece 'polishop.'

    Por Wilson Júnior, em 09/06/2012 às 21:49

    FHC falando de juros que finalmente começaram a cair? Tá de gozação com a minha cara né? Só pode.

    Por augusto josé sá campello, em 09/06/2012 às 14:09

    Boa tarde. Tenho, sim, algo a dizer. Digo e repito, que vivemos tempos difíceis. A grande mídia, jornais, revistas de ampla circulação, redes de TV e de Rádio, me parecem pasteurizadas. Digo-lhes porquê. Volta e emia, compro alguns jornais - não só daqui do Rio, algumas revistas que "se acham", e passo umas boas horas ouvindo rádio (ainda tenho e uso um velho "Transglobe") e assistindo jornais de Tvs. É uma repetição e um tal de repercutir, por vezes com a desfaçatez de copiar o texto dos outros. Aqui e ali, uma opinião que tenta remar contra a maré.=== Afora isto, que é fato, sei que a desinformação campeia entre a população. Desinformação de base, por ter sofrido os males de uma Educação falha. - A respeito, conto-lhes uma estorinha (que não sei se já contei) : fui tirar a segunda via da Carteira de Identidade. Notei um jovem - talvez uns 11 anos, com sérias dificuldades para assinar seu nome. Um analfabeto funcional. Chegada minha vez de assinar, indaguei se o fato era comum. A resposta foi : Sim, é muito comum. Vários por dia.=== O que ocorre, então? O povo, a massa, informa-se pela imagem e pela oitiva do rádio e da TV. Com sérias limitações de entendimento sobre o que vê e ouve.=== Francamente, Democracia? Como?=== O que me parece acontecer é a velha repetição do fenômeno do curral eleitoral, tristemente modernizado. Sabem, políticos experientes e aspirantes, sabem os atuais mandatários ( de mandato, eleitos) que aqui e alhures se ouve e se assiste a este ou àquele veículo da mídia. E é através destes veículos que se martela as platitudes de sempre. O resto, é cabo eleitoral prometendo mundos e fundos. Como sempre.=== Reforma política? Nem pensar! Reforma Eleitoral? Nem pensar! Ajscampello

    Por Antonio Durão, em 05/06/2012 às 00:37

    Ué??? Nem FHC tem direito a texto na íntegra aqui??? rsrsrsrsrs

    Por Antonio Durão, em 05/06/2012 às 00:35

    Ou seja: quem não chora, não mama!!!

    Por Dmitri Razumikhin, em 04/06/2012 às 13:48

    Para lembrar o poema do pastor luterano Niemöller, ex-comandante de U-boat, na WW-I http://uboat.net/history/wwi/part4.htm "Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, não protestei, porque, também não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse."

    Por José Antônio da Conceição, em 04/06/2012 às 16:11

    @razumikhin Todo (e qualquer?) protesto é válido. Será mesmo? Depende... Mas não depende do protesto e sim do ouvinte do protesto. Se gritarem na casa vizinha: Ai, Ai, estão me estuprando!!! o cara pode ouvir e pensar assim: É aquela sem-vergonha que deita com todo mundo, e agora está reclamando... Onde o ERRO que permitiu alguém ir dormir ignorando o socorro que seria humanamente obrigatório? Na IDEOLOGIA... na ideia pré-concebida do ouvinte do grito. É justamente ISSO que tento discutir aqui no OP, o perigo das IDEOLOGIAS. Elas nos tornam cegos e surdos. Passamos a julgar os fatos e as opiniões das outras pessoas EXCLUSIVAMENTE baseados no que a ideologia disse e mandou fazer. E... fazemos isso sem perceber que fomos tolhidos na nossa LIBERDADE de pensar e julgar segundo o critério das NOSSAS IDEIAS. Pior: Fazemos isso e bradamos aos quatro ventos => Estou lutando pela LIBERDADE...

    Por Dmitri Razumikhin, em 04/06/2012 às 17:28

    @joseantonio400 Haja sem-vergonha, né? Mas, se você for conversar com um comunista daqueles fechados, radical, ele vai te dizer que 10% da população do país deve morrer quando a revolução chegar. O cara fala isso como se estivesse distribuindo convites para uma festa de casamento, ele acredita de verdade nessa barbaridade. O fim maravilhoso que a revolução socialista trará (sic) justifica os 20 milhões de mortes, no Brasil, por exemplo. Qual é o antídoto contra esses caras? 1. educação, e não será com escolas de marxismo como existem hoje; 2. liberdade de imprensa, mesmo que seja para o pastor pregar que quem não dá o dízimo vai sentar no colo do capeta. Sem educação verdadeira e imprensa livre, ou de outra forma: com uma imprensa vendida ao governo, aquela do pensamento único, não tem jeito de haver democracia. Eleição não caracteriza democracia. Em Cuba, URSS etc. sempre houve eleições, candidato único. O choro alto das igrejas é válido não porque o que elas propagam seja toda a verdade, mas porque elas têm o direito de dizê-lo.

    Por José Antônio da Conceição, em 04/06/2012 às 12:55

    "Não digo isso para aceitar o conformismo vigente em muitos meios de comunicação, até porque, para fazer frente a ele, o desconcerto causado pela variabilidade de opiniões das mídias sociais, e mesmo pela mistura entre lixo eletrônico e real opinião, é insuficiente. Digo-o para alertar: a despeito de parecer que a política, principalmente a partidária, é mais enganação do que afirmação de interesses e valores que podem enfrentar a luz do sol, no final das contas o que decide a nossa vida em sociedade é a política mesmo. Portanto, sensaborona ou não, repetitiva ou não, controlada pelos que mandam ou não, dependemos dela. Nos dias que correm, sobretudo nos regimes democráticos, não há política sem comunicação; logo, é melhor tomar coragem para ler e ouvir tudo o que se diz, mesmo quando partindo de fontes suspeitas." Excelente alerta! Não há o que acrescentar. Reduzindo a amplitude de sua fala ao pequeno ambiente do Observador Político, nota-se, principalmete aqui, muito do lixo eletrônico citado. Nota-se por aqui também as tentativas de transformar em lixo opiniões embasadas em fatos, conhecimento e pesquisas, cobrindo-as de pronto com as cores de uma ou outra ideologia, ou simplesmente acusando-as pejorativamente de serem afirmações .vindas de "militância". Militemos pois. Obrigado por ter dito. Vindo de Fernando Henrique Cardoso, existe a possibilidade de que as afirmações sejam respeitadas.

    Por Dmitri Razumikhin, em 04/06/2012 às 12:24

    Primeiro os evangélicos na TV, depois a Veja, depois a internet - o OP dança nessa hora -, depois a igreja católica, depois o seu pensamento, depois o que mais? Nada, não vai precisar mais depois..

    Por Jose Reis Barata Barata, em 04/06/2012 às 10:35

    “FHC: ...o que decide a nossa vida em sociedade é a política mesmo”? Inicio discutindo um pouco sobre opinião. De já, trago Marcelo Caetano:. “As coletividades, os grupos, as multidões não têm vontade. Pode falar-se, usando imagens literárias, em “alma nacional”, ou em “vontade do povo”: de fato nunca existem senão as vontades individuais, embora se produzam fenômenos de interpsicologia que originam movimento uniforme das massas ou correntes dominantes de opinião.” Bem que poderia ter incluído esta opinião no espaço dedicado a discussão suscitada pelo sempre instigante e oportuno texto de FHC pelo argumento de autoridade que goza, : “Política e meios de comunicação”. Não o faço, barata internauta bicada não atravessa galinheiro. Ninguém leria. Aqui, uma ou outra curiosidade pode favorecer o objetivo, tornar útil a pretensão de ainda ser útil . Nietzsche em “Miscelânea de Opiniões e Sentenças” legou este ensinamento sobre “Escritores de Partido”: “Os toques de tambor com os quais jovens escritores se comprazem a serviço de um partido se assemelham, para aquele que não pertence a um partido, a um chocalhar de cadeias e despertam ante a compaixão que a admiração” Um velho escritor de partido nada mais que um velho que a loucura prolongou a juventude. Os vários e socialmente importantes FHCs pela voz sempre ouvida, precisam ser observados cuidadosa, parcelada e paulatinamente. Não sem razão que se tornou um líder da política perdendo a oportunidade única de ter se transformado em um verdadeiro líder político. Não afirmo que perdeu o metro da história, mas, as águas de um rio nunca mais serão as mesmas de determinado tempo e lugar. Oportunidade não se renova nem se cria; prova, aproveita ou lamenta. É, FHC, um homem de convicções, bem mais que de paixão política não estéril. Lastimo, é o que penso da plena imagem política dele de muitos megapixels. Dois pensares sustentam o que segue: a) Há uma inversão prática da teórica: os partidos políticos que deveriam exprimir a opinião; manifestamente, tentam, nela influir; b) “Opinião pública é um fenômeno complexo na sua variedade, estrutura e extensão – M. Caetano” Estabeleço o diálogo: Impende transcrever alguns trechos de FHC do citado texto: “...a “opinião” já está enraizada nos eleitores, pois nos anos anteriores se elegeram os heróis e os vilões cujas virtudes e defeitos foram repetidos todo o tempo, sem contestação crítica. É dessa maneira que se exerce nas modernas sociedades de massa o controle ideológico da opinião, seja pelos governos, seja pelos grupos dominantes na sociedade, econômicos ou políticos... Digo-o para alertar: a despeito de parecer que a política, principalmente a partidária, é mais enganação do que afirmação de interesses e valores que podem enfrentar a luz do sol, no final das contas o que decide a nossa vida em sociedade é a política mesmo. ..A precondição para que haja alternativas ao que aí está é manter a liberdade de expressão, mesmo que haja distorções... Obviamente, não basta haver uma mudança na oferta de espaço pela mídia, é preciso que haja vozes de oposição com peso suficiente para serem ouvidas e se fazerem respeitar. Sem esquecer que nas democracias a voz que pesa politicamente é a de quem busca o voto para se tornar poder.” barata: Todo fato pode ser visto por vários ângulos. Certamente que qualquer afirmação permite uma insondável amplitude crítica não menor do que a afirmação. Há, portanto, que se escolher um ou alguns desses ângulos. Opinião é um juízo que se faz sobre algo. Se necessariamente surge em um ou vários indivíduos, a concordância é que a torna pública. Publicidade não significa uniformidade. Não surgem do nada, sempre repousam na cultura que, embora não estática, tem sua mutação de modo bastante alongada, quase imperceptível no tempo. A afirmação de controle ideológico sobre a opinião no modo delineado, portanto, pode ser aceita tão-somente como identificação do processo, jamais como apontando para algo tangível, material, voluntário. Não se despreza com isto os meios de informação pela crítica que todos contêm de modo ideológico (puro) ou mecadológico. Não há fria imparcialidade na informação. Os governos, mais precisamente os governos despóticos sustentados pelo Direito, moeda e força (trilogia que materializa o poder) por um estrutura politizada defendem o poder que detêm via informação. A opinião, também, pela superficialidade, rapidez e volatilidade em que se movimentam as massas tem muito de emoção e pouco , por vezes nada de razão. Disso tudo, desse complexo jogo de poder onde o saber também é poder, decorre que “A opinião pública nos nossos dias tem, assim, muito pouco de espontânea, sendo largamente influenciada pela informação e publicidade ,esta última ao serviço da propaganda de ideologias ou de interesses , nacionais ou econômicos, nacionais ou estrangeiros – M. Caetano“ Todavia daí a afirmar que os partidos políticos é a “afirmação de interesses e valores” exige significativos reparos. Interesses e valores de quem? O interesse domina o grupo que detém o poder no Partido Político: “Se a vontade fosse uma potência lógica deveria ceder a coação da idéia abstrata; mas é um ser real que se não deixa envolver por simples deduções lógicas. Só atua sob o influxo de uma pressão real. Para a vontade humana essa pressão é o interesse.” Não se contesta que um partido político (PP) “é uma associação de cidadãos que pretendem , mediante a ação concertada junto a opinião pública, obter o exercício e os benefícios do poder – M.C. “. O que se afirma é que a formação ideológica de um PP é mero disfarce demagogo de parto . Um PP é sempre dirigido por um grupo onde no mais das vezes prepondera a personalidade do chefe que enfeixa em torno de si a decisão para o surgimento de outras lideranças. Poder não admite outro. O grupo ,sobre forte liderança, obcecado e obsedado pela tomada e o exercício do poder, o amadurecimento de intimidades que se consolidam ao longo do meio, da coexistência e da existência política “sacrificam à conquista ou à detenção deste (poder) todas as outras considerações. O interesse geral é então submetido ao interesse partidário – M.C” Se é impossível discordar de FHC quando afirma que: “... o que decide a nossa vida em sociedade é a política mesmo.”; com a mesma intensidade é possível afirmar que esta decisão somente é decisiva - mas ainda assim não de modo exclusivo - nos Partidos Políticos porquanto e enquanto efetivo poder estatal que se vale de coligações quase sempre espúrias e profissionalismo político caminhando, sempre célere, para o tão danoso Partido Único que tantas reviravoltas e atrocidades provocaram e marcaram o curso da história da humanidade.

    Por Fabiano Machado, em 04/06/2012 às 08:09

    Gostei do artigo. Minha maior critica é a mídia partidaria, que o PT usa ou que alguns grupos que estão no Governo Federal e fora dele fazem, para proteger ele. Temos até Jornalistas e Editores do próprio Governo infiltrados nos Jornais (os Jornais mais famosos, fortes e grandes do Brasil. Além dos pequenos que também sofrem controle da mesma forma, porém não por toda parte). Isso é grave! Parece que estamos no tempo em que o DOPS controlava as noticias. Agora fazem elas lá dentro. Temos na mídia até a opinião de uma oposição de faz de conta, aonde fazem oposição manipulando fatos e dando atenção a outros que não são importantes ou que interessam alguns da própria situação. Estas pessoas estão infiltradas na mídia de oposição e atrapalham o nosso trabalho de opositor. Essa é a minha maior critica a mídia. Att.