Não precisa ser psicólogo para constatar tanta obviedade: enquanto, de um lado, Marta e Erundina repugnam Maluf e as benesses do poder petista e, de outro, Lula, Falcão, Dirceu e seus seguidores o saúdam e lhe entregam (ao Maluf) fatias de poder no futuro governo da cidade de São Paulo, há algumas diferenças entre eles.
Alguns falam em ética versus realpolitik, outros que os tempos mudaram e é preciso superar o passado; e Lula sempre fala que todos são iguais. (tem razão: ele quer ser igual a Maluf). Entretanto, a um leigo observador dos abismos da alma humana faz mais sentido encontrar em Freud alguma explicação mais convincente: os sonhos e os valores da insondável alma de Lula, o seu ideal mais inconfessado, consistem exatamente naquilo que significam e simbolizam estes ícones de um certo tipo de política: Maluf, Sarney, Collor, dentre tantos outros que estão aliados ao governo lulista desde o início. Poder a qualquer custo, de preferência para sempre. Lá no fundo estes senhores da casagrande são o ideal de Lula, suas referências recônditas. Seja para odiá-los na oposição, seja para amá-los na coligação, como agora. De um modo ou de outro, Lula idolatra Maluf. Lulas idolatram malufs. E agora eles são iguais. Lula se sente igual; ele se sente muito bem entre eles – pode observar. Ouve-se aqui e ali que sempre foi assim com Lula, desde os anos 70, quando ele era o interlocutor confiável dos empresários com os sindicatos, e do governo militar. Golbery queria promover Lula, todos dizem.
É perfeitamente compreensível este comportamento de Lula. Ele veio de longe, e de muito baixo. Por razões que ninguém sabe, é fisicamente saudável, forte. Do mesmo modo, é inteligente, tem uma auto-estima impressionante, ressentindo-se apenas de alguns complexos de inferioridade que surgem às vezes, mas que serão superados quando já tenha muito dinheiro e poder (ops!, já está superado isto…). Não é assim fácil entender a natureza humana, mas é mais difícil entender “gênios”, ou magos – que são os bruxos – como é Lula, que vende bilhete premiado e paga (com mais bilhetes).
Erundina? (para eles) É commodity utilitário, samambaia vintage para compor o espaço e enfeitar o fosco candidato jovem. Nada fundamental. Pelo contrário, é apenas uma questão de que o lugar não deveria ser desejado nem disputado por outros aliados e partidários. Marta certamente gostaria de fazer o que seu filho Supla sugeriu: mandá-los todos para aquele lugar. Erundina e Marta podem ser meio assim… surpassed, mas, cada uma a seu jeito, cada uma com seus valores e suas origens, não são lulas.
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