Economia

Por Observador Diário, em 01/06/2012 às 12:40  / 3 opiniões.

“Não se pode crescer a qualquer custo”, diz FHC

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O ex presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo que o Brasil não deve exagerar a dose nas medidas voltadas a estimular o crescimento, sob o risco de gerar problemas no futuro, como a alta da inflação. Para ele, o país avançou muito, mas não deve “exagerar nos ajustes” nem “mudar de rumo” no momento em que tenta se adaptar ao cenário mundial desenhado pela crise de 2008

Confira um trecho da reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo:

Contratado pelo banco Itaú para fazer palestra a empresários e investidores em Pequim, o tucano afirmou que o governo não deve exagerar a dose das medidas voltadas a estimular o crescimento, sob o risco de gerar problemas no futuro. “Tem que crescer, mas também não é a qualquer custo, porque se começar a crescer a qualquer custo, produz distorções grandes mais adiante.”
A seguir, os principais pontos da entrevista:
AJUSTE – “É um país que avançou muito, mas tem problemas, sobretudo nesse momento em que tem que se ajustar às novas condições do mundo por causa da crise, de não exagerar nos ajustes. Ao ajustar, não mudar o rumo. Não estou dizendo que tenham mudado o rumo. A questão de que houve uma desvalorização da moeda e ela foi até certo ponto apoiada pelo Banco Central. Muitos países estão fazendo isso porque têm que proteger sua manufatura. Está bem, mas não exagerar, não transformar isso em uma prática institucionalizada.”
JUROS – “Baixar a taxa de juros é importante, mas tem que olhar as consequências. Não dá para ter posições definidas de que a taxa de juros não tem importância e tem que baixar a qualquer custo. Não, não é a qualquer custo. O custo é a inflação. Crescer a economia. Tem que crescer, mas também não é a qualquer custo, porque se começar a crescer a qualquer custo produz distorções grandes mais adiante.”
FALTA DE POUPANÇA – “[O Brasil] ficou mais forte, mais rico e tem mais capacidade de consumo. Mas não teve capacidade de aumentar sua taxa de poupança, que é uma coisa complicada. É difícil programar uma taxa de crescimento muito elevada sem uma taxa de poupança correspondente. Você pode expandir o crédito, mas também tem limite. Estamos em um momento em que as mudanças são necessárias, algumas estão sendo feitas, mas não devem ser feitas precipitadamente.”
COMPETITIVIDADE – “Há que retomar a linguagem das reformas. É verdade que nossas manufaturas sofreram muito com a taxa de câmbio, mas também é verdade que sofrem também da falta de competitividade delas. E essa falta de competitividade não é em função do que acontece dentro da fábrica. É fora da fábrica. É o sistema tributário, é a infraestrutura que está faltando, é a eletricidade que custa muito. Portanto, o governo tem tarefas urgentes a serem definidas, e com clareza.”

Leia a reportagem completa no site do Estado de S. Paulo

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    3 opiniões publicadas

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    Por Victor Castro, em 09/08/2012 às 08:48

    Só um comentário: o destaque (frase destacada) da entrevista é uma queimação de filme pra FHC, como se ele só soubesse dizer obviedades redundantes. Fica a crítica ao moderador que criou o tópico.

    Por Victor Castro, em 09/08/2012 às 08:46

    AJUSTE – “É um país que avançou muito, mas tem problemas, sobretudo nesse momento em que tem que se ajustar às novas condições do mundo por causa da crise, de não exagerar nos ajustes. Ao ajustar, não mudar o rumo. Não estou dizendo que tenham mudado o rumo. A questão de que houve uma desvalorização da moeda e ela foi até certo ponto apoiada pelo Banco Central. Muitos países estão fazendo isso porque têm que proteger sua manufatura. Está bem, mas não exagerar, não transformar isso em uma prática institucionalizada.” - Não há planejamento de gestão de recursos humanos na Administração Pública, não há seletividade das áreas prioritárias para atuação do Estado, enfim, não há perspectiva nenhuma de reequandramento fiscal e orçamentário. E isso implica necessariamente em uma política cambial mais frouxa, uma vez que o país perde poder de manobra nas contas internas, e a desvalorização da moeda é sempre uma forma rápida de conseguir dólares. JUROS – “Baixar a taxa de juros é importante, mas tem que olhar as consequências. Não dá para ter posições definidas de que a taxa de juros não tem importância e tem que baixar a qualquer custo. Não, não é a qualquer custo. O custo é a inflação. Crescer a economia. Tem que crescer, mas também não é a qualquer custo, porque se começar a crescer a qualquer custo produz distorções grandes mais adiante.” - Idem ao item anterior. Só um adendo: indução do consumo por 9 anos seguidos, como tem feito o PT, ao invés de induzir a geração de poupança e o investimento em produção (com redução da carga tributária e valorização cambial), gera uma bolha de endividamento que uma hora vai estourar. Tenho pena de quem assumir a Preasidência em 2014. FALTA DE POUPANÇA – “[O Brasil] ficou mais forte, mais rico e tem mais capacidade de consumo. Mas não teve capacidade de aumentar sua taxa de poupança, que é uma coisa complicada. É difícil programar uma taxa de crescimento muito elevada sem uma taxa de poupança correspondente. Você pode expandir o crédito, mas também tem limite. Estamos em um momento em que as mudanças são necessárias, algumas estão sendo feitas, mas não devem ser feitas precipitadamente.” - Nem tinha lido este item quando escrevi o anterior. Reitero os termos acima então. COMPETITIVIDADE – “Há que retomar a linguagem das reformas. É verdade que nossas manufaturas sofreram muito com a taxa de câmbio, mas também é verdade que sofrem também da falta de competitividade delas. E essa falta de competitividade não é em função do que acontece dentro da fábrica. É fora da fábrica. É o sistema tributário, é a infraestrutura que está faltando, é a eletricidade que custa muito. Portanto, o governo tem tarefas urgentes a serem definidas, e com clareza.” - Nem o PSDB nem o DEM têm uma proposta de reforma tributária. Oposição propositiva é também consolidar as propostas de seus parlamentares e sentar com o Governo para negociar. Não temos feito isso. Paciência. O PSDB é co-culpado (por omissão) por essa situação.

    Por erikssom patos, em 01/06/2012 às 12:48

    Excelente, só que esperar isso aí dos petistas é pedir muito...