Comunicação

Por Se o Povo Soubesse, em 10/05/2012 às 09:33  / 2 opiniões.

Se o povo soubesse as bobagens que falam sobre a Virada Cultural…

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Acabou a Virada Cultural e agora sugiro que você faça um teste: daqui até a próxima, veja quantas informações os jornais vão publicar sobre cultura na periferia sob promoção pública ou privada.

Antes da Virada, críticos bem ou mal intencionados, mas certamente mal informados, disseram que a Virada é legal mas que deveria ser “a cereja do bolo” não o bolo, como disse o excelente jornalista André Barcinsky, no UOL. Ou mais ou menos como diz o ex-secretário de Transportes, José Luiz Portela, um craque em transportes e urbanismo e um infeliz torcedor do Palmeiras. Cito os dois porque são pessoas sem intenções políticas de desfazer um evento que é um sucesso internacional (o discurso da cereja vem sendo propalado, mais com dor de cotovelo do que com boas intenções por petistas para criar uma forma de discurso eleitoral).

O fato é que com as melhores intenções, esses dois críticos e muitos outros professam com sinceridade uma bobagem: o ano todo, a cada semana, um evento maior do que a média dos principais palcos da Virada (maior em público e importância cultural) acontece em promoção pública na periferia da cidade. A revista com o roteiro mensal só de eventos populares da Secretaria Municipal de Cultura é maior do que o Guia de fim de semana dos jornais.

Mas a imprensa não publica nada.

E como Barcinsky e Portela têm na periferia uma idealização sonhada, com as melhores intenções, e se relacionam com ela na mesma frequencia com que vão ao Zoológico, e como os políticos de oposição sabem que a população de uma área da cidade não sabe o que acontece nas outras a nao ser pela leitura de jornais, a desinformação dos jornais vira fato, na cabeça de seus leitores e dos leitores dos seus leitores.

Veja um pequeno detalhe: sem em nenhum momento dizer que isso faz parte de uma programaçao regular, os jornais noticiam hoje que Fernanda Montenegro estreou sua peça em um CEU, escola pública da periferia, com teatro amplo. Sao mais de 40 CEUs, todos com programaçao regular. Vezes 52 semanas, já dá, só de CEUs, mais eventos do que toda a Virada Cultural. Tem também as Quebradas Culturais, tambem regulares, muito maiores do que a maior parte dos palcos da Virada. Enfim, 64 páginas de eventos em corpo de roteiro de eventos, que a imprensa se recusa a publicar e depois seus leitores vão achar que não acontecem.

Até mesmo o evento de Fernanda Montenegro aparece sem ligação commuma política pública. É como se fosse uma celebridade a mais apenas.

Entao sugiro que você como leitor cobre de seu jornal a cada dia um verbete de roteiro de algo que esteja acontecendo na periferia. No fim do ano, mande por email para quem disser que a Virada é o bolo e não a cereja.

Tem algo a dizer?

    2 opiniões publicadas

    O que você tem a dizer?

    Por milton valdameri, em 11/05/2012 às 18:54

    Quer dizer que a "Virada Cultural" consiste em divulgar algo que acontece na periferia por que aconteceu na periferia?

    Por Alexandre Loureiro, em 10/05/2012 às 22:30

    Ótimo texto. Nos leva a questionar se o tão propalado "direto ao acesso a informação" da população é, de fato, seguido a risca pelos meios de comunicação.....