Economia

Por Observador Conteúdo, em 30/05/2012 às 14:24  / 6 opiniões.

Economia do Brasil cresce 45% nos últimos dez anos

Tamanho da fonte: a-a+

Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o economista e ex-diretor do Banco Central  Luiz Eduardo Assis destaca que o crescimento econômico do país nos últimos dez anos atingiu a marca de 45%. Coincidentemente, é a mesma taxa de crescimento da economia mundial no mesmo período. Para Luiz Eduardo, apesar de não ser um percentual expressivo, esse resultado mostra que o país rompeu um ciclo de estagnação que marcou a economia brasileira por muito tempo.

Confira um trecho do artigo publicado no Estado de S. Paulo:

Confirmadas as previsões consensuais para 2012, o Brasil terá crescido 45% nos últimos dez anos. Isto é, coincidentemente, a mesma taxa de crescimento da economia mundial. Nem mais nem menos. Será mais do que as economias desenvolvidas e menos do que outros países emergentes. Nos dez anos terminados em 2012, a China terá crescido nada menos que 160%. Não, o Brasil não é a China. Crescemos com o mundo e como ele – não lideramos nada.
Essa constatação conflita com a sensação de que vivemos um crescimento vertiginoso, o que pode ser explicado por duas comparações. Em primeiro lugar, com nós mesmos. Pode não ser muito crescer no mesmo ritmo da economia mundial, mas o fato é que rompemos, finalmente, o ciclo de estagnação que nos acompanhou durante muito tempo. Basta lembrar que a renda per capita brasileira de 2003 foi menor – sim, menor – que o mesmo indicador para 1980. Em mais de duas décadas, caminhamos para trás. A segunda comparação que nos conforta é com os países ricos. Nos últimos anos, os EUA cresceram a um ritmo que é menos que a metade do crescimento brasileiro. O passo de cágado dos países ricos permitiu que a economia brasileira se transformasse na sexta maior do mundo.
Mudamos bastante, mas o mundo mudou mais do que nós. Três novidades, reciprocamente imbricadas, marcaram a alteração do cenário internacional: o forte aumento nos preços das commodities, taxas de juros excepcionalmente baixas e uma elevação exponencial da liquidez. Tudo somado, o quadro é benigno para o Brasil – o que equivale a dizer que nosso crescimento se deveu muito às circunstâncias internacionais sobre as quais não temos nenhum controle. Mesmo o “tsunami monetário”, com seu impacto deletério sobre a competitividade da indústria, tem seu lado funcional. Medido por uma cesta ponderada de moedas, o dólar nos últimos dez anos se desvalorizou 30% diante do real. Apenas para manter o mesmo nível do início de 2002, o dólar deveria estar valendo hoje R$ 2,56. Foi o dólar barato que abriu espaço para que a economia crescesse de forma acelerada sem pressionar a inflação. O problema é que não só essa conjugação de elementos benfazejos não durará para sempre, como já existem indícios de seu esgotamento.

Confira o artigo completo no site do Estado de S. Paulo

Tem algo a dizer?

    6 opiniões publicadas

    O que você tem a dizer?

    Por eduardo wiebusch, em 24/07/2012 às 19:15

    brasil cresceu 45% mas ainda tem gente morrendo de fome, falta de saneamento básico, falta educação de qualidade e muitas outras coisas... do que adianta crescer 45% se não usam o dinheiro direito?

    Por roberto argento filho argento, em 01/06/2012 às 06:22

    1984 - Profeta George Orwell

    Por augusto josé sá campello, em 31/05/2012 às 18:01

    Boa tarde. Não sei se nosso país cresceu tudo isso. Minha sensação, nos últimos anos é de que crescaeu em alguns lugares e mingou em outros. E corre o risco de encolher. Aliás, voltou a ficar atrás da Inglaterra, mesmo que esta esteja em recessão "branda" como ouvi por aí.=== Me parece algo como o tal "gigante" adormecido. Que acordou, deu alguns passos e está cambaleante.== Os tais indícios de esgotamento da conjugação de elementos benfazejos vindos lá de fora, já entraram mesmo em queda. A liquidez financeira continua lá. Mas perdeu o interesse em vir para cá. Está preferindo ficar em casa ou ir para os países asiáticos - fora India, Paquistão e outros lugares meio esquisitos..=== A China não precisa desta liquidez financeira. Os bancos por lá são estatais. Fazem o próprio dinheiro e o investem como mandam e/ou como querem.=== O prêço das commodities já caiu. Vamos ter de enfrentar exportações reduzidas neste campo, até onde se possa ver.=== Os juros estão baixos. Mas é uma artificialidade. USA, EUROPA (inclusive Russia, outro gigante dodói) precisam de juros baixos para poder pagar suas dívidas soberanas.== E, por fim, não. Não podemos, o mundo e nós aqui em Pindorama, mudar a maneira de crescer. Ainda tem um acúmulo de seres humanos passando fome, morrendo indignamente, aqui e alhures.=== Um exemplo de coisas que vão mal? Pois bem : empresas russas e chinesas compraram ações do Facebook. Realizaram seus lucros e venderam. É preferível fazer como nós aqui, plantar e exportar. Viva Santa Embrapa do Cerrado. Posto que nossos governantes preferem chegar lá (manter o poder) pouco importando os meios. AjsCampello

    Por erikssom patos, em 31/05/2012 às 12:05

    Em minha opinião o Brasil não cresceu isso tudo nestes últimos anos, cresceu bem menos, muito menos. Mas, eu faço uma pergunta a quem quiser responder: o que significa na pratica parar este modelo de crescimento adotado pelo mundo? É possível parar o crescimento, mesmo a humanidade crescendo em nome da sobrevivência como fazer crer neste tipo de preocupação? É possível congelar o que existe hoje e continuar com o estado de bem estar já alcançado?

    Por José Antônio da Conceição, em 30/05/2012 às 16:47

    Há mais, mas não foi dito textualmente: FHC disse no seu Blog que o Brasil está sem plano de vôo. Ao que respondi: "Quem está sem plano de vôo, me desculpe discordar, é o mundo inteiro e todas as suas lideranças. Sem plano do vôo porque presos a uma visão única, direcionada para apenas um dos angulos da questão: Aquele que afirma que crescer é o único caminho, mesmo que o fornecedor de energia e matéria prima que sustentem este crescimento consumista seja um planeta pequeno, limitado e não inflável."

    Por roberto argento filho argento, em 30/05/2012 às 16:39

    Que, a despeito de ou independente de Deodoro da Fonseca à Dilma Rousseff, o Brazil cresceu junto com o Mundo ...