A notícia de que o Brasil superou os EUA no consumo de agroquímicos – também chamados de defensivos agrícolas ou agrotóxicos – tem sido recorrente na mídia. Os últimos números revelam que o mercado brasileiro do produto movimentou US$ 7,3 bilhões em 2010, uma fatia de 19% do consumo global atrás dos EUA que responde por 17%.
Mas você sabe o que há por trás disso? Primeiro, há um crescimento significativo na colheita de grãos no Brasil. Só para exemplificar, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de soja saltou de 15,4 milhões de toneladas na safra 1980/1981 para 75,3 milhões de toneladas na safra 2010/2011. Seguindo essa evolução, a demanda por defensivos também aumentou.
Mas você deve estar se perguntando: “O Brasil não poderia produzir sem o uso desses agroquímicos?”.
Nos dias atuais seria impossível manter a produção de grãos no mesmo patamar sem o uso dessa tecnologia. Isso porque o Brasil tem clima tropical, marcado pelo calor e umidade, o que favorece a proliferação de pragas: ervas daninhas, fungos, insetos, bactérias e vírus.
“Países com o inverno mais frio acabam usando menos, porque as baixas temperaturas funcionam como um dedetizador natural. Se não matam totalmente os insetos, diminuem significativamente sua população”, diz José Djair Vendramim, professor do departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq – Usp Piracicaba.
Quanto aos métodos alternativos, sim, eles existem e estão sendo aprimorados. Um deles é o controle biológico, que consiste da inserção, em uma determinada área, de predadores naturais da praga que causa danos àquela lavoura. Outra opção são os defensivos naturais, produtos feitos a partir de extratos de plantas, que têm efeito acaricida, fungicida, etc. Um bom exemplo é o óleo de neen, uma árvore originária da Índia. No entanto, o professor salienta: “Nesse momento, devido às grandes áreas de produção comerciais, não teríamos matéria-prima suficiente para combater as pragas só com o uso de defensivos naturais”. A dificuldade é a matéria-prima e o custo-benefício. Sbe-se que as práticas alternativas muitas vezes, são menos produtivas que as práticas convencionais, principalmente com as culturas tradicionais, assim como soja, milho, trigo entre outras…
Polêmicas
Para quem é contra o uso de agroquímicos, o argumento mais usado são números do Ministério da Saúde, bem como dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de resíduos de defensivos nos alimentos.
“O que faz o veneno é a dose não é o princípio ativo”, diz Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). “É como tylenol: na quantidade certa cura dor de cabeça, mas a superdosagem pode matar”, diz.
Além disso, hoje a maioria das grandes fazendas hoje tem um fiscal só para garantir que os trabalhadores usem os equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários para a aplicação do produto.
Treinamento
Indústria e Academia são unanimes em dizer que falta assistência técnica. “Precisamos de agrônomos extensionistas para levar os novos conhecimentos ao agricultor”, diz Vendramim. “As Casas de Agricultura não dão conta”, diz o professor. Para suprir esta lacuna deixada pelo governo, nos últimos cinco anos, a indústria investiu R$ 10,8 milhões em projetos de educação e treinamento de oito milhões de pessoas. O objetivo é produzir sempre mais e com mais segurança, contemplando assim produtores e consumidores.
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6 opiniões publicadas
O que você tem a dizer?Por roberto argento filho argento, em 30/05/2012 às 22:45
" “É como tylenol: na quantidade certa cura dor de cabeça, mas a superdosagem pode matar”, diz" - mas há algo que não foi dito e que envolve um conceito muito usado em Farmacologia: Janela terapêutica, é igual à diferença entre a concentração mínima eficaz e a concentração tóxica, quanto menor esta diferença, maior será o risco. Não sabemos, por exemplo a Janela do ROUNDUP, o defensivo agrícola mais usado por aqui, se larga ou estreita A do tylenol é estreita, isto é, a diferença é minima entre remédio e veneno. .
Por roberto argento filho argento, em 30/05/2012 às 22:49
@argento: . . . coisas que a propaganda, convenientemente esconde, do brazileirin crédulo.
Por roberto argento filho argento, em 11/05/2012 às 21:52
http://www.agrisustentavel.com/trans/crisanto.htm Só pra começar ...
Por augusto josé sá campello, em 10/05/2012 às 10:46
Bom dia. O resumo da questão, apresentado acima, até faz sentido. E mostra que o país está tentando ir na direção acretada. No entanto, o melhor do texto é a informação de que a industria do negocio agrícola está investindo em educação e treinamento. São muitos os ramos industriais e outros que estão investindo em capacitação, treinamento, etc. O que é muito bom. Parece que pegaram os freios nos dentes. AjsCampello
Por Brasil supera Eua no uso de agrotóxicos, por que? | Observador … | Veja, Brasil, em 10/05/2012 às 02:51
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Por Brasil supera Eua no uso de agrotóxicos, por que? | Observador …, em 09/05/2012 às 22:31
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