Economia

Por José Roberto Mendonça De Barros, em 28/05/2012 às 16:10  / 11 opiniões.

23% das famílias estão com comprometimento de renda acima de 30%

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Boa tarde pessoal,

Ontem no jornal ”O Estado de São Paulo” foi divulgado que 14 milhões de famílias comprometem um terço da renda mensal com dívidas, resultado de um estudo realizado pela MB Associados (http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,14-milhoes-de-familias-comprometem-um-terco-da-renda-mensal-com-dividas,113940,0.htm).

Este estudo apontou um comprometimento da renda já em 2008/09 de 22%. Mais do que isso, atualizando este comprometimento pela variação ocorrida nos dados do Bacen entre 2012 e o período da pesquisa da POF (ou seja, uma alta de 18,9%), encontramos um comprometimento médio já próximo de 30% (26,2%). Valor considerado limite, especialmente para as famílias das classes C, D/E em função da dedicação de parte importante do orçamento para despesas básicas, como, por exemplo, alimentação, transporte, educação, etc.

Vocês acreditam que esta situação possa ser uma das razões pela qual o mercado tem revisado, para baixo, suas projeções de crescimento da economia para 2012?

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    11 opiniões publicadas

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    Por José Roberto Mendonça De Barros, em 31/05/2012 às 17:36

    Oi pessoal, só respondo hoje pois estava viajando. Não me parece que existe uma bolha de consumo que vá estourar, prejudicando o crescimento por muito tempo, como está acontecendo no Sul da Europa. O que ocorreu é que parte das famílias tomou crédito em excesso e tem, agora, que parar por uns tempos para reduzir seus compromissos. Após este período, o consumo deverá voltar a crescer pois, o as pessoas estão empregadas e seus rendimentos em alta. Entretanto, o crescimento deste ano, certamente, já está prejudicado. No futuro, o consumo deverá crescer mais lentamente. Acredito que muitas famílias lidarão com o crédito com mais cautela. um abraço!

    Por Jose Reis Barata Barata, em 31/05/2012 às 18:42

    @josebarros , gostaria de ouvir tua opinião sobre algumas dúvidas: o enorme volume de recursos públicos distribuidos (presenteados) por via assistencialista está sendo arcado por exatamente por quem? Será possível prolongar por longo prazo essa situação? Considerando que o Brasil mantem sua histórica pauta de exportações trocando insumos por produtos industrializados não há uma perda significativa sendo imposta ao trabalhador brasileiro em face este tipo de troca e pela ostensiva diferença de valor real do salário entre o Brasil e oos países com os quais comercializa? Esse "rendimentos em alta" não estará sendo mascarado pela disitribuição de moeda ? Não estando, esse crescimento futuro permitirá que se saldem as dívidas e ainda assim seja possível um crescimento do consumo? sds.

    Por José Roberto Mendonça De Barros, em 06/06/2012 às 15:14

    Caro @jose-reis-baratabarata, de fato tivemos um crescimento forte dos gastos sociais nos últimos anos, não apenas o Bolsa Família, mas também os gastos de salário mínimo que pesam na Previdência Social. Também é verdade que a pauta de exportação de commodities tem crescido e a de industrializados tem caído, mas não podemos esquecer que os produtos commoditizados têm uma alta carga de industrialização por trás. por exemplo, na cadeia industrial agrícola, os componentes exportados tem um elevado componente tecnológico. Por fim, o consumo deve continuar crescendo, apenas dizemos que nesse momento o consumidor está passando por um processo de ajuste pelo excesso de endividamento que teve no passado, especialmente em alguns bens como automóveis. É verdade, entretanto, que cada vez mais o maior potencial de crédito poderá vir do setor imobiliário já que o brasileiro já tem um padrão de uso de crédito pessoal que não é muito diferente dos países desenvolvidos. Aqui de fato talvez não tenhamos muito mais espaço para crescimento nos próximos meses.

    Por augusto josé sá campello, em 30/05/2012 às 15:55

    Boa tarde. O mercado revisou para baixo suas projeções de crescimento da economia em 2012? Bom, que mercado?== O mercado financeiro privado já havia feito projeções mais modestas de crescimento para 2012. Já o mercado financeiro digamos, institucional, governamental, projetou para onde? Para cima, é claro. Mais repasse do Tesouro Nocional para BNDES, por exemplo.=== Resta saber se este repasse será para aumentar a oferta de crédito subsidiado para quem ou o quê. Para terminar a construção do porto cubano? Para dar início à construção das hidrelétricas do Rio Ene, no Peru? O mercado das empresas de exportação está prevendo encolhimento desde o ano passado. O mercado das mineradoras está prevendo expansão menor devido à declinante oferta de capital estrangeiro e a minuscula oferta nacional, inclusive a governamental. O mercado de .... cada um está projetando coisas um tanto diferenciadas.==== Mas, as famílias.... Que famílias? De que classe?=== Estou auxiliando uma ONG a finalizar pesquisa entre as famílias de baixa renda de algumas localidades da Serra Fluminense. Amostragens colhidas entre aquelas afetadas pelo desastre passado e por outras, não afetadas. O endividamento, entre as famílias sem conta bancária até agora está batendo nos 60%. Entre as que tem conta bancária, nos 70%.=== Meus caros, muita coisa neste nosso Brasil, fica "fora do radar". AjsCampello

    Por Elza A., em 30/05/2012 às 14:53

    Isto nada mas é que o resultado da falsidade da tal "injeção de otimismo", com efeito contrário, quando este "Brasil Varonil", criou POR DECRETO, um "novo conceito de Classe Média"... Com matreirice admirável, "dividiu a Classe Média em ... 3 ! Classe Média Baixa = Absolutamente miseráveis; Classe Média Média= Pobres com alguma perspectiva de crescimento e Classe Média Alta = Antiga Classe Média real, com o achatamento resultante de mais de 30 anos de massacre. Obviamente que o mercado teve que se "reprogramar", com produtos de menor qualidade e preço, vendidos "a perder de vista", para manter a quimera da "Classe Média brasileira"... Imaginem se, "IF", confessassem que tiveram que forçar a diminuição dos preços e dilatar prazos de financiamento com juros baixos, PORQUE o país CHEGOU AO LIMITE DA...( ia ser bem feio, he,he,he...)

    Por Arthur Lopez, em 30/05/2012 às 06:41

    Será que vamos caminhando para uma bolha prestes a estourar? Vamos crescer pelo consumo? seremos o primeiro então. Outros países que foram por esse caminho estouraram, vejam a Espanha

    Por roberto argento filho argento, em 30/05/2012 às 13:23

    @arthurlopez-couto: Sim, é por aí, ... outros mercados, outras bolhas, ... outros mercados, outras bolhas, ... , prepara-se a Africa ...

    Por roberto argento filho argento, em 29/05/2012 às 21:28

    . . . e, mais uma vez o público quizivoda.

    Por erikssom patos, em 29/05/2012 às 10:40

    Esses são sinais claros que de que a fogueira do pico de crescimento acima da media brasileira em 2010 está sem lenha para queimar. O modelo adotado pela economia em geral de expansão monetária constante via a criação de dinheiro do nada e ofertada para o consumo via o credito, sem a correspondente base real de produção, dá nisso aí. É claro que todas as pessoas que tem uma alta taxa de preferencia temporal para o presente acabam pagando mais por isso (juros), esse é o preço de abrir mão de não poupar para consumir hoje o que poderia ser para amanhã. O endividamento é um limitador do crescimento tanto para os indivíduos tanto quanto para os governos. A diferença entre ambos é que os indivíduos quando ficam inadimplentes simplesmente dão o calote e ficam em penúria por longo tempo, ao passo que os governos prolongam esse fim através de politicas de inflacionamento, ou seja, criam dinheiro por meio de sua maquina de fabricar moeda.

    Por erikssom patos, em 29/05/2012 às 11:59

    Mais uma observação muito importante para este texto do José Roberto. O empresariado de um modo em geral se sente inseguro mesmo diante de atitudes erráticas que o governo tem tomado na área econômica. Tudo parece que as coisas movimentam como bolhas de sabão, meio que flutuando em deslocamentos para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita, é um mexe mexe meio de desconcertante... Enquanto isso os pilares do Plano Real vão sendo demolidos devagarinho, mas seguramente vai caminhando para o descontrole do governo em cujas bases ele mais se baseia, é irônico isso né, mas é uma evidencia.

    Por Jose Reis Barata Barata, em 28/05/2012 às 17:02

    Mendonça, irmão, embora não me sinta confortável falando de bom senso, não se trata de acreditar ou não que a via intentada pelas medidas financeiras governamentais não darão certo. Creio que é de Rousseau: distribuam dinheiro e logo terão grilhões. O ostensivo endividamento da população não necessita de números para sustentá-lo. Por não gerar investimento - destina-se a bens de consumo imediato e quinquilharias - não distribui riqueza, consome a futura produção dela e escraviza ainda mais. Se por um lado aprofunda a desigualdade, gera um ambiente falacioso de sucesso individual, aliado ao absenteísmo e ócio, que logo resultará em frustração, mágoa e desequilíbrio social, raiva e violência exacerbada.