É isso mesmo que você leu no título e eu não tenho nenhuma publicação ou especialista que me respalde. Estou solitário nessa opinião, mas explico os porquês
Rayman Origins é um game de plataforma em 2D, gênero parecia relegado a ser um DLC (conteúdo para baixar) no Playstation 3 e Xbox 360.
DLC nesses consoles é para jogos menores, com preço mais baixo e feito por produtoras novas e com custos menores.
O Wii, que também recebeu Rayman Origins, teve recentemente New Super Mario Bros. Wii (2009) e Donkey Kong Country Returns (2010).
2011 teve os dois maiores heróis dos games de plataforma: Mario, com seu Super Mario Land 3D, e Sonic em Sonic Generations.
Mas coube ao mascote da Ubisoft, que está longe de ter a fama dos dois supracitados, fazer o elhor jogo de plataforma em muito tempo.
Rayman tem um visual cartunesco. Mas não pense na tradição de Tex Avery em seus transloucados Looney Tunes.
Rayman rende homenagens a geração daqueles desenhos animados dos anos 90, como os do programa Liquid Television, Ren & Stimpy, The Tick, etc.
Porém, ao invés da escatologia e do visual dark característicos de alguns dos citados, Rayman Origins entra numa vibe lisérgica nunca antes vista na série.
O clima é festeiro, parecido com Earthworm Jim em seus melhores momentos.
Fazer o visual do game nessas condições não é fácil.
Pegue como exemplo os games blockbusters que provavelmente foram eleitos os melhores do ano pela sua revista favorita.
Todos eles tem um norte bem definido: emular o mundo real. Ok, Batman Arkham City tem o elemento dos heróis e vilões, mas você dribla isso e o resto é fácil de se achar.
No caso de Rayman, é pura doideira.
Tem fase que o cipó é a barba de uma espécie de monge, que fica flutuando no cenário.
Dorgas, mano, muitas dorgas.

A sensação de que o povo tomou um doce na hora de fazer esse game é reforçada pela trilha sonora “feliz”.
Quando você passa de fase, entre uma trilha arrebatadora feita por uma explosão de banjos e violas à caribe.
É tudo inusitado, porém feliz.
É como se David Wise, que compôs a trilha de Donkey Kong Country, do SNES, tivesse ganhado na loteria e festejasse com música.
Alguns instrumentos usados são difíceis de identificar – parecem vindos da peça gaúcha Tangos & Tragédias ou da argentina Les Luthiers.

Outro mérito de Rayman que o diferencia dos outros é o controle agradabilísimo.
São só três botões, além do direcional, sendo que um deles é para correr. Dá a sensação de que um controle de Nintendinho poderia fazer todos os comandos que o game precisa.
Por último, acho que o desafio do game em camadas merece aplausos. Para os que jogam para passar de fase rápido e terminar o game logo, é fácil.
Aqueles que gostam de fazer a limpa na fase, conseguindo todas as medalhas e descobrindo todos os segredos, a coisa complica.

Na boa, vejo muitos méritos em Gears of War 3, Call of Duty: Modern Warfare 3, Uncharted 3 (quantos 3 neste ano, não?), Batman Arkahm City, L.A. Noire (jogaço), PES 2012, entre muitos outros.
Reconheço que Zelda é outro ponto fora da curva.
Mas nem mesmo essa franquia tradicional da Nintendo tem a psicodelia sem freios que Rayman Origins propõe.
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