(É tão bom qdo a gente lê algo que poderia/ gostaria de ter escrito…)
BRASÍLIA – A grande (e ótima) novidade anunciada durante as minhas férias foi que o Brasil passou o Reino Unido e é agora a sexta economia do mundo. Uau! Somos uma potência! Mas que potência é essa?
A infraestrutura é sofrível. (…) Quanto à educação: Será que o país tem boas escolas para a maioria e profissionais de ponta para enfrentar os desafios do crescimento e da competitividade em todos os setores? Há dúvidas.
E o país consegue ser a sexta economia mundial com um IDH ainda vexaminoso. Quando você passeia pelo interior do Nordeste, onde as coisas vêm melhorando, é verdade, assusta-se com os ainda extensos bolsões de miséria atolados em dois ou três séculos atrás.
Povoados sem asfalto, um atrás do outro, com crianças barrigudinhas e descalças correndo na poeira, entre mulheres de ar sofrido e pele encarquilhada e homens trôpegos pela cachaça e pelo cansaço de uma vida inteira de trabalho duro, debaixo de sol a pino e em regime de semiescravidão.
Não consta que haja gente e cenários assim no Reino Unido e na França, o próximo país a ser, bem antes do que se previa, ultrapassado pela economia emergente do Brasil.
O que está em pauta não é (só) o ritmo da economia (…) mas principalmente a qualidade do desenvolvimento. Há que se discutir por que, para que e para quem o Brasil assume ares de potência.
Eliane Cantanhêde, na Folha de terça-feira (link só funciona para assinantes da Folha ou do UOL
P)
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É tão óbvio, tão óbvio, tão óbvio…
É o que a gente dizia no Colégio Santana nos anos 70 e 80, enquanto o governo militar se ufanava da “potência” que o Brasil era… Não gostavam que a gente dissesse “país subdesenvolvido” não, era “em desenvolvimento”.
Dava uma revolta que fazia a gente querer entrar para a política, fazer revolução, fundar um partido, votar, eleger, fazer tudo diferente.
Olha no que deu.
((((
Aqueles caras que antes eram inconformados com essa inversão de valores hoje comemoram a mesma coisa que questionavam, denunciavam, abominavam.
Cara, falam tanto de 1984 (o Big Brother original, #pobreGeorgeOrwell ), mas o livro mais profético, mais irônico, mais chocante é Revolução dos Bichos. Não é leitura obrigatória nas escolas, né? Pois devia ser sugerida enfaticamente.
Publicado no blog de Soninha Francine
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1 opinião publicada
O que você tem a dizer?Por Jáder Ribeiro, em 09/01/2012 às 11:32
ao que parece seremos como os países árabes, que bamburram em petróleo, são riquíssimos, mas a população é pobre, em alguns casos miseráveis! riqueza sem reflexo na vida das pessoas é o mesmo que nada!