Eu, você e o mundo inteiro já ouviu que o tráfico de drogas se organizou como uma empresa, com conexões no estado, muitos fornecedores e toda uma leva de gente que orbita em torno de Nens, Fernandinhos e outros chefões. O que se viu na primeira fase da operação Colômbia e o que se está vendo neste extamo momento no México é que a retirada do grande capo desestrutura o negócio e abre uma guerra pelo poder, que geralmente acaba em uma dissolução da holding em uma infinidade de pequenos outros negócios, mais discretos. Pablo Escobar fez uma grande aventura pelo mundo do marketing pessoal, incursionou pela política e quando foi morto no dia que completava 44 anos a TV colombiana mostrou imagens de alguns de seus compatriotas chorando, comparando-o a Jesus Cristo. O fato é que a prisão do chefe do tráfico não acaba com a sede dos dependentes, nem transforma em anjos os juízes, policiais e políticos que bebem no propinodutos da cocaína, do crack e da maconha. E os próprios traficantes têm mulheres e filhos cujas contas precisam pagar. Há policiais corruptos que dependem do arrego para quitar a prestação do apartamento, os fornecedores colombianos, paraguaios, bolivianos…. eles precisam de grana entrando para manter alimentados os encarregados de fazer o plantio e processamento da droga. Traficantes presos preocupam gente diferente como fabricantes de fuzis AK-47 e as dezenas de pequenas indústrias químicas, com milhares de funcionários, que também dependem da vitalidade dessa indústria. Funcionários que, diga-se, devem levar vida honesta. É ingenuidade acreditar que isso tudo pode parar.
A ocupação da Rocinha e de outras favelas cariocas é uma iniciativa no caminho certo, finca a bandeira do estado onde só haviam marcas de balas de fuzil. Porém, a captura de Nem e a presença dos policiais deixará uma legião de órfãos e a indústria do tráfico continuará. No México a intervenção do estado mergulhou o país em uma guerra sanguinária em que a s gangues, aparentemente por falta de lideranças claras, tentam se impor pelo terror. Espalham-se membros decepados de opositores pelas ruas, há massacres de mais de cem pessoas de uma vez só. Tudo vai parar na internet. Em um vídeo emblemático de seis minutos dois supostos traficantes têm suas cabeças arrancadas na frente da filmadora: um com uma motosserra, outro com uma faca. Horror. Horror.
Não existe estatística no mundo que autorize previsões otimistas sobre o fim do narcotráfico. Medelín, na Colômbia, cidade símbolo da guerra do tráfico em meados dos anos 90, foi pacificada, mas a exportação de drogas contitua sendo um dos maiores problemas do país. A empresa do tráfico da Rocinha e das favelas cariocas vai se reorganizar, provavelmente deixará de operar com tanta evidência e passará a usar métodos mais sutis como se fez na Colômbia. Infelizmente, existe muita gente boa, no estado e fora dele que assumiu compromissos que são pagos direta ou indiretamente com o dinheiro sujo que pinga todo mês da indústria do tráfico. Por outro lado, os consumidores não se importam em subir morros e, provavelmente, não se importão se precisarem ir mais longe. Nessa guerra estamos perdendo batalha após batalha desde que algum ser iluminado tratou de transformar uma questão social (ou seja lá o que isso for) em um assunto militar. O fato é: perdemos.
Mas existe algo que pode mudar na Rocinha e nas outras favelas agoras ocupadas pelo governo. As crianças escaladas pelo tráfico eras facilmente atraídas pela falta de alternativas. Daqui para frente, se ganharem uma perspectiva melhor, se ganharem atenção de verdade, se o Estado efetivamente cumprir seu papel, podemos pelo menos sonhar com a possibilidade de fecharmos a escola de aprendizes de traficantes. Já seria uma grande coisa. Publicado em mediacircus
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13 opiniões publicadas
O que você tem a dizer?Por Libório Pedrosa, em 18/11/2011 às 22:58
Ué!!! Bandidos também não tem mulher e filhos??? O governo não paga Auxílio Reclusão???
Por Peplau , em 19/11/2011 às 10:30
@libo só o bandido incompetente que vai em cana, o que não vai preso fica na livre iniciativa.
Por Fernando Augusto Rodrigues da Costa, em 18/11/2011 às 09:50
O Estado, sozinho, não dá conta de resolver todos os problemas da sociedade. É preciso acabar com a premissa disseminada pelas esquerdas de que o denuncismo é errado, é dedo-durísmo (criaram esse erro para se protegerem durante a ditadura), mas não é nada disso, pois é dever do cidadão denunciar erros e maus comportamentos dos seus semelhantes, seja o vizinho que coloca o som alto, seja a briga do casal, a criança espancada, tudo isso deve, sim, ser denunciado e ai fica mais fácil para o Estado tomar as providências devidas. Quanto à subsistência dos que se envolvem com o tráfico, é um problema de quem escolhe o caminho errado, o dinheiro fácil.
Por José Antônio da Conceição, em 17/11/2011 às 14:02
Que tal esta proposta? http://www.observadorpolitico.org.br/grupos/drogas/forum/topic/proposta-para-acabar-com-o-trafico/
Por Sandro Barreto, em 17/11/2011 às 12:10
Nunca entendi a preocupação de sociólogos, psicólogos, dos médicos e da população com os usuários, porque o traficante não te obriga a cheirar uma careira, não te coloca uma M4 na cabeça pra tu fumar uma, não te tortura pra tu fumar uma pedrinha, quem usa é imbecil e é principalmente consciente do que faz. Todo usuário sabe que financia compra de armas!! Há muitos anos quando eu estudava no ensino fundamental me lembro de ler um texto: Carta de um viciado ao pai, mais ou menos isso pois não recordo direito o título, pois bem, o idiota estava em fase terminal em uma cama e parecia uma samambaia, resolveu escrever ao pai dizendo que se arrependia, que sabia do sofrimento da família em virtude dos atos por ele praticados. Agora me respondam, o traficante ameaçou ele de morte ou ameaçou sequestrar a família do retardado se ele não usasse drogas??? Me poupe, usa quem quer. E o que mais me deixa revoltado é que quando um policial prende um traficante, nossas belas leis tratam de abrandar a pena. Na verdade o problema é que existem muitos imbecis que usam drogas sim.
Por MARIA tERESA MACEDO, em 17/11/2011 às 08:20
droga é um negócio como outro qualquer, o que falta é vontade política mundial para acabar com isso,
Por Sandro Barreto, em 17/11/2011 às 11:56
@12teca Falou tudo.
Por Peplau , em 17/11/2011 às 14:37
@legislador só não explicou como, né? Pequeno detalhe.
Por Peplau , em 17/11/2011 às 10:39
@12teca acabar como Maria? fiquei curioso.
Por Elza A., em 17/11/2011 às 00:21
Problema sério é traficante ELOGIAR SECRETÁRIO DE SEGURANÇA, PREFEITO, GOVERNADOR... Tudo isso ANTES DE SER PRESO... Problema sério é traficante pedir voto pra político... Problema sério é, depois de prender o CHEFÃO Secretário de Segurança dar ponto sem nó, prometendo "DELAÇÃO PREMIADA", PRO CHEFÃO!!!Como se ele não fosse o chefe de tudo! Acho que sou tola ou maldosa demais...Depois que vi o filme da eleição da Associação da Rocinha, com obras do PAC, caminhões asfaltando a rocinha etc, e a entrevista do Nem, elogiando estes que o "PRENDERAM", sei não... Não entendo mais nada,principalmente depois do delegado da Polícia Civil tentar DIFICULTAR A PRISÃO PELA POLÍCIA FEDERAL... PELO QUE ME CONSTA TRÁFICO É CRIME FEDERAL, ou será que não é +???
Por Peplau , em 17/11/2011 às 10:41
@zazamir assim percebe-se que são peças da mesma cor, não? Que o cara que move uma peça é o mesmo que move a outra. Dinheiro ilegal, livre de impostos, faz mais coisa do que você pode imaginar. Até livrou alguns bancos da quebradeira em 2008, como um executivo confessou.
Por Jáder Ribeiro, em 17/11/2011 às 10:14
@zazamir nem sempre Elza. Só será federal se for produto destinado ao exterior ou se vier de lá para cá.
Por Peplau , em 14/11/2011 às 11:29
Aí não seria o problema só da maconha né autor? Seria o problema de qualquer coisa cuja demanda é alta e é criminalizada.