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Por Potkin Azarmehr, em 22/11/2011 às 13:16  / opiniões desativados.

Na Tunísia: liberdade de expressão e de pensamento no banco dos réus

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Fiquei triste ao saber sobre o julgamento na Tunísia pela transmissão da animação “Persépolis”. A revolução tunisiana, que deveria derrubar um ditador, logo vai acabar se reduzindo a uma ditadura religiosa, se os tunisianos seculares permanecerem calados com esse tipo de coisa. Mais uma vez, minha frase favorita de Edmund Burke “O mal só prevalece quando os bons permanecem em silêncio” se manifesta em nossos dias.

O desenho animado “Persépolis” não é sobre atacar todos os valores sagrados. Só um idiota fanático religioso poderia chegar a tal conclusão. É na verdade uma representação brilhante de como uma revolução contra a ditadura é sequestrada por este tipo de extremistas. É um filme que avisa as pessoas comuns sobre o que vai acontecer se permanecerem em silêncio e permitirem que os extremistas assumam o poder.

persepolis

Todos os iranianos que experimentaram uma ditadura religiosa vão se identificar com o filme “Persépolis”. Lembro-me de tê-lo visto com o meu filho mais velho no cinema. Quando a menina, a personagem principal do filme, levanta-se para a professora, que estava regurgitando a propaganda oficial revolucionária, e fala a verdadeira realidade, eu estava tão arrebatado que, para o constrangimento do meu filho de 10 anos de idade, me levantei no meio do filme e comecei a aplaudir, só para ter a camisa puxada por ele e ouvir ele me dizer “nós só vamos sentar e assistir ao filme ok? Não bater palmas”.

O absurdo do julgamento, porém, pode ser resumido pela seguinte declaração feita por Nabil Karoui, o proprietário da rede privada de televisão Nessma, que transmitiu o filme: “Fico muito triste ao ver que as pessoas que queimaram a minha casa estão livres, enquanto estou aqui porque transmiti um filme que foi autorizado”, e ele descreveu corretamente o julgamento como a “morte da liberdade de expressão”.

Tradução: Cristina Camargo

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