Direitos Humanos

Por Hélio Bicudo, em 20/10/2011 às 17:32  / 2 opiniões.

O desequilíbrio entre os poderes

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Numa democracia, o Estado não pode gozar de tratamento especial, em detrimento do cidadão.

Não é, entretanto, o que acontece no Brasil. Aqui, o Estado tem um poder que vai muito além das prerrogativas necessárias à boa administração da coisa pública, da “res publica”, como diriam os romanos.

No campo da Justiça, é evidente o desequilíbrio entre os deveres do cidadão e os poderes do Estado. Assim, nas lides processuais, o Estado goza de prazos mais dilatados do que aqueles concedidos ao cidadão. Vencido, é obrigatório o recurso por seus representantes. Os juízes, que não representam o Estado, são obrigados a recorrer de ofício se proferirem uma sentença que contrarie o Poder. Além disso, os seus advogados devem intervir sempre para que as decisões que lhes forem contrárias sejam discutidas em novo patamar.

Esses privilégios não encontram justificativas e procrastinam a decisão final das causas propostas pelo cidadão contra o poder do Estado.

Vai daí o acumulo das dívidas do Estado quando condenado nas lides contra ele propostas, a dificultar o cumprimento das sentenças, com a criação dos chamados “precatórios”, verdadeiro calote praticado contra tantos quantos obtiveram na Justiça o direito de exigir indenizações que se qualificam pela certeza do montante a ser pago diante de uma condenação pecuniária imposta pela Justiça.

Por incrível que possa parecer, na hipótese de uma condenação assim quantificada, a parte vencedora estará obrigada a esperar a oportunidade, determinada pelo poder do Estado, para obter o ganho ditado por uma sentença que, de um lado, o condena e, de outro, estipula o tanto a ser embolsado pela parte vencedora.

Nesses casos sempre surgem, evidentemente, dificuldades apostas pelas deficiências criadas pelo próprio Estado, que não pode “gastar” além do montante previsto no orçamento. Quer dizer, o Estado diz que não tem dinheiro e pronto. O contribuinte que espere.

Não é por outro motivo que os credores do Estado – a referência vale para os pequenos, porque os grandes tem um tratamento diferenciado, na medida do interesse da administração pública em saldar este ou aquele débito – amarguram com esse tipo de insolvência, que os pode levar à impossibilidade de prestar serviços de qualidade nos contratos públicos.

Tudo isso porque a democracia cabe na medida dos interesses maiores do Estado, que trata seus cidadãos conforme suas necessidades econômicas… e políticas.

Basta uma leitura sem o devido aprofundamento da legislação que regula, nos contratos, a posição das partes, para que se conclua que além do interesse puramente econômico prevalece o intuito, ínsito na “lei”, segundo o qual o que se quer é o proveito próprio.

Sob esse aspecto seria importante permitir-se de maneira clara eficiente que a população pudesse se manifestar para que o equilíbrio entre o poder e a vontade popular não fosse distorcido por interesses menores, como hoje costumeiramente acontece.

Publicado no blog de Hélio Bicudo

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    2 opiniões publicadas

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    Por Gustavo Adolpho Junqueira Amarante, em 20/10/2011 às 21:44

    Penso que sempre haverá um desequilíbrio entre o poder do cidadão e o poder do estado, e que este desequilíbrio não se sustenta de forma fixa, oscilando conforme o momento histórico. No mais das vezes, a balança pende para o estado, detentor do poder que lhe foi outorgado pelo povo, para que o represente, e portanto, com a ciência e anuência deste povo, que está abrindo mão de algumas de suas prerrogativas. Nesta situação, regras claras e a exigência do cumprimento destas regras pelo poder constituído, formam a proteção do cidadão. Quando tudo falha, a falência do estado e do poder leva povo ao levante e à revolução. O poder, ainda que de forma difusa e caótica, volta para as mãos dos cidadãos, numa convulsão que procura refazer o equilíbrio perdido e os mecanismos de proteção destruídos.

    Por Fernando Augusto Rodrigues da Costa, em 20/10/2011 às 20:31

    Resumindo, é o que já desconfiava, ao invés de o Estado servir ao cidadão, é este que serve ao Estado. Somos mesmo uns sádicos, pois elegemos nossos próprios algozes. E o brasileiro se vangloria de não ser OTÁRIO.