Esporte

Por Observador Diário, em 19/10/2011 às 09:29  / 1 opinião.

Lei Geral da Copa causa mais uma crise entre Dilma Rousseff e a Fifa

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Do Estadão.com

ZURIQUE – O anúncio do calendário do Mundial de 2014 no Brasil, nesta quinta-feira, em Zurique, está sendo ofuscado por uma guerra aberta entre a Fifa e o Palácio do Planalto, a ponto de até os organizadores da conturbada Copa de 2010, na África do Sul, passarem a atacar o comportamento da presidente Dilma Rousseff. O principal motivo da crise é a Lei Geral da Copa, que, no entender da entidade, já deveria ter sido aprovada pelo Congresso.

O problema, segundo a Fifa, é que o governo enviou ao Legislativo um projeto de lei diferente do que exige a entidade e com dois anos de atraso. Para o Planalto, o projeto previa superpoderes para a CBF e a Fifa, além de exigências de proteção de marcas que feriam a lei nacional. Dilma, há dois dias, disse que não aceitaria leis que minassem os benefícios da população.

Na Fifa, cartolas não negam que o comportamento do governo cria a percepção de que não há como confiar na administração. O que mais preocupa a entidade é que nem mesmo o encontro entre o secretário-geral Jérôme Valcke e Dilma, há duas semanas, em Bruxelas, nem uma reunião entre advogados na semana passada, em Brasília, foi suficiente para superar o impasse.

Valcke saiu da reunião com a convicção de que Dilma teria entendido que a Fifa iria manter suas exigências. Mas foi pego de surpresa pela declaração da presidente, durante visita à África do Sul, indicando que não mudaria nada que hoje beneficia a população brasileira.

Ainda que a declaração não queira dizer que ela não faria alterações na Lei Geral – embora exista o temor de que os compromissos assumidos possam ser revistos novamente -, a Fifa considera que o governo está “jogando para o público” e usando a entidade para ganhar popularidade interna ao ameaçar não ceder.

Estado recebeu confirmações da Fifa de que, por lei, a entidade tem como tirar a Copa do Brasil até meados de 2012, sem pagar indenização. Se sentir que terá prejuízo com o evento, poderia optar por mudar de sede. Mas dificilmente essa possibilidade vai ser usada, já que o custo político e de imagem da própria Fifa seria incalculável.

A decisão de Dilma de assumir o comando do processo da Copa, retirando os poderes do ministro do Esporte, Orlando Silva, foi considerada positiva, mas, segundo funcionários do alto escalão da Fifa, não acaba com a crise. Ao contrário, seria só o começo de uma nova etapa de relacionamento.

Nesta terça-feira, no primeiro encontro oficial do Escritório da Fifa para a Copa de 2014, Jérôme Valcke voltou a criticar o governo brasileiro e apresentou a Rússia como exemplo. Os russos, que irão sediar a Copa de 2018, já estariam aprovando a legislação exigida pela Fifa, sete anos antes do Mundial. Para ele, esse é o exemplo, e não o Brasil, que desde 2007 ainda pena para se organizar.

Após a intervenção de Valcke, foi a vez do sul-africano Danny Jordaan, principal responsável pela Copa de 2010, liderar o ataque contra o governo brasileiro.

Jordaan aparentemente se esqueceu de todas as críticas que recebeu por anos seguidos, e fez questão de apontar o Palácio do Planalto como o responsável pelo caos em relação à Copa 2014. Foi mais longe: cobrou resultados e até deu lição.

DOR DE COTOVELO
Ao Estado, Jordaan acusou o País de não ter feito por merecer a indicação para ser sede do Mundial. “O Brasil ganhou o direito de sediar a Copa. Mas não disputou nada. Não teve de fazer nada”, disse, em referência ao fato de que o Brasil não teve concorrente. O ataque foi feito justamente enquanto Dilma fazia sua primeira viagem à África em seu governo.

“O Brasil recebeu o troféu em suas mãos sem nem ter participado de uma corrida. O Brasil não ganhou um troféu. O troféu é que foi dado ao País”, disse. Jordaan lembrou que a África do Sul teve de assinar todos os compromissos legais antes mesmo de ganhar o direito de sediar o Mundial. Segundo ele, as leis foram aprovadas poucos meses depois.

Mais tarde, em conversa com a imprensa brasileira, Jordaan foi mais cauteloso. Mas não deixou de dar seu recado, pediu de forma indireta para que o governo abandone a guerra e insinuou que falta apenas vontade para que as coisas aconteçam. “Ninguém vai a uma Copa e pergunta tal parte é a parcela do governo ou da Fifa. É uma experiência só. Todos precisam cooperar. Não há três copas. Há uma só”, disse.

Falando como se jamais tivesse tido problemas em sua Copa, o sul-africano alertou que “basta ter vontade” para fazer as coisas acontecerem. Para ele, estádios e infraestrutura, nesta altura, são problemas menores para o Brasil. Jordaan entende que a aprovação das leis deve ser prioridade agora. “É isso que dá base à Copa”, discursou.

 

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    1 opinião publicada

    O que você tem a dizer?

    Por ricardo luiz da silva costa, em 06/03/2012 às 18:15

    Olha, essa pendenga aí me faz lembrar aquela lenda do *sujo falando do mal lavado*, já explico porque. A FIFA é uma espécie de CBF sendo que em uma escala mundial. Até pouco tempo atrás, antes do atual presidente Joseph Blatter a FIFA foi presidida vitaliciamente durante décadas por João Havelange, ex-sogro de Ricardo Teixeira atual presidente vitalício da CBF, que balança mais não cai mergulhado em mar de lamas da corrupção. E fica tudo por isso mesmo dando a entender que a CBF está acima das leis e das instituições brasileiras. Sinceramente, eu não entendo tal situação. A CBF, tal como a FIFA, é uma entidade privada que explora um bem público (o futebol) que movimenta e fatura rios de dinheiro, mas que no final, quem paga as contas é o contribuinte duas vezes, seja de modo direto, pagando seu ingresso, seja de modo indireto, através do poder público, como no caso em pauta que gerou a polêmica, quando o governo brasileiro terá que construir estádios e criar toda a infra-estrutura capaz de suportar à realização de uma copa do mundo, o principal evento da FIFA. Aí surge a pergunta que não quer calar: Por que a FIFA e a CBF não entram com seus recursos financeiros na composição da planilha de custos do evento, como contrapartida ao governo brasileiro naquilo que for de sua competência exclusiva? Aí não precisaria de uma lei específica para a copa. Por que fazer uma lei geral da copa (temporária) para burlar as leis permanentes vigentes no país? Com todo respeito, a meu ver, essa copa no Brasil só servirá para explorar ainda mais ao povo brasileiro em nome do ex-melhor futebol do mundo e a favor de uma dúzia e meia de corruptos e espertos que lucrarão com isso, dentro e fora do país. E para isso não precisa criar nenhuma lei, aí é demais. Por isso, eu acho que o tal Jérôme Valcke, secretário geral da FIFA, deu um chute no que viu, mas acertou no que não viu. No final de tudo ficará o dito pelo não dito.