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Ebrahim Yazdi está em seus oitenta anos agora, mas há três décadas ele foi muito útil para a chegada da República Islâmica do Irã ao poder. Sempre era visto ao lado do aiatolá Khomeini durante a estadia deste em Neauphle-le-Chateau, ajudando a conduzir e traduzir inúmeras entrevistas de Khomeini com a mídia ocidental. Yazdi também acompanhou o aiatolá Khomeini em seu voo de volta para o Irã e se tornou o vice-Primeiro Ministro e Ministro das Relações Exteriores no primeiro governo provisório após a revolução.
Durante os meses de terror da era pós-revolução, alguns dizem que Yazdi até mesmo presidiu o júri dos tribunais revolucionários que executaram sumariamente milhares de pessoas acusadas de fazer parte do regime do Xá, e outros dizem que Yazdi e Bazargan apoiaram uma anistia geral. De qualquer forma, Yazdi foi visto em muitos julgamentos sumários, como no vídeo abaixo, sentado à esquerda e dizendo ao General Rahimi para ordenar que seus homens se rendessem:
No entanto, como sempre, a revolução devora seus próprios filhos e, como os clérigos consolidaram seu poder na sequência da tomada de reféns na embaixada dos EUA, a queda de Yazdi também se tornou inevitável. Os clérigos já não tinham necessidade de enganar a população com seus idiotas úteis. Ao contrário do que prometeram antes da revolução, eles não voltaram para as mesquitas e deixaram os políticos fazendo o trabalho sujo da política e do governo. Uma vez intoxicados com o poder, eles quiseram governar sozinhos e muito mais expurgos internos viriam pela frente.
Em 29 de outubro, Yazdi – agora com oitenta anos e talvez um pouco mais sábio do que três décadas atrás – , escreveu uma carta aberta a Rached Ghannouchi, o líder islâmico de Hizb Al-Nahdah que venceu as eleições recentes na Tunísia, aconselhando-o a não repetir os mesmos erros cometidos por Yazdi e sua geração de revolucionários iranianos em 1979.
Na carta, Yazdi diz: “Nós só derrubamos um ditador para substituir uma ditadura por outra” e pede a Ghannouchi para salvaguardar três princípios importantes para que a revolução da Tunísia não se torne outra revolução fracassada:
1 – Respeitar, aceitar e encorajar o pluralismo;
2 – Ser tolerante com opiniões diferentes;
3 – Implantar a cooperação e a compatibilidade entre as diferentes facções políticas
Eu nunca pensei que um dia iria ajudar a divulgar as palavras de alguém como Ebrahim Yazdi, mas as palavras de um ex-revolucionário islâmico que ajudou a levar a República Islâmica do Irã ao poder talvez tenham mais quilometragem entre os islamitas da Tunísia do que as minhas.
Talvez a esquerda iraniana também devesse fazer um esforço agora, e começasse a ensinar à esquerda europeia sobre como os esquerdistas no Irã foram destruídos e massacrados pelas mesmas pessoas que ajudaram a levar ao poder.
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