Agricultura

Por José Casadei, em 23/08/2011 às 11:19  / 17 opiniões.

Nos EUA, como no Brasil, há trocas de farpas envolvendo a proteção ambiental

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O jornal norte-americano The New York Times publicou uma reportagem indicando que, nos Estados Unidos, há um intenso – e até irracional – debate a respeito da atuação da EPA (environmental Protection Agency), a agência ambiental de lá, uma instituição com funções similares ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) aqui no Brasil.

O ataque parte de políticos ou autoridades governamentais do Partido Republicano que pretendem competir para serem o candidato do partido para concorrer ao cargo de presidente da República nas eleições de 2012.

Resumindo, dizem os pretendentes Republicanos à sucessão do presidente Barack Obama que a EPA está travando a recuperação da economia norte-americana e que a agência deveria ser chamada de algo como “agência exterminadora de empregos”.

No Brasil, não raras vezes, há conflitos entre defensores do meio ambiente e do crescimento econômico. Na verdade, não deveria existir briga entre as duas partes. Afinal, crescimento econômico e conservação ambiental são dependentes um do outro. Em muitas situações, é justamente a falta de oportunidades econômicas formais que empurra centenas de famílias para atividades informais predatórias à flora e à fauna.

Obras causam impactos como qualquer atividade humana. Construir uma nova obra qualquer não causa nem mais nem menos impacto ao meio ambiente do que os milhões de carros que circulam nas cidades ou do que os bilhões de litros de esgoto sem tratamento que são despejados nos rios e mananciais todos os anos.

O que acontece é que a sociedade, atualmente, não está mais disposta a construir sem qualquer medida de preservação. Na média, as pessoas querem que o crescimento econômico aconteça em bases sustentáveis. O problema é que isso provoca, muitas vezes, restrições – e ninguém quer tais restrições no próprio quintal.

A sociedade terá, um dia, que se posicionar sobre questões mais complexas para o dia a dia das pessoas. Há milhares de pessoas ainda sem energia elétrica, sem meios de transporte (coletivo ou individual), sem serviços de água e esgoto, sem telefonia. Toda essa infraestrutura, que gera conforto e bem-estar, demanda obras. E obras para suportar todo esse consumo desejado pelas famílias causam algum impacto no meio ambiente.

Obras e qualquer atividade humana podem ser feitas com mais preocupação ambiental. No caso das obras, as regras são rígidas e bem fiscalizadas, envolvendo processos rigorosos e custos adicionais para reduzir ou remediar impactos ou até para recompensar o que não pode ser remediado.

Ao mesmo tempo, a sociedade precisa estar preparada tanto para mudar comportamentos quanto para pagar pelo custo adicional que a súbita e crescente conscientização ambiental trará para bens e serviços ofertados. O desafio é fazer com que a tecnologia faça a parte dela, instituindo e disseminando melhores práticas nos processos de planejamento e construção, normas avançadas de manejo na agricultura e na
pecuária e, sobretudo, que essas melhores práticas tenham escala industrial, ou seja, que tenham abrangência suficiente para atender uma população que se aproxima de 7 bilhões de pessoas no mundo todo.

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    17 opiniões publicadas

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    Por José Casadei, em 07/10/2011 às 11:48

    Davi, você tem razão e está correto: quando escrevo sociedade, é uma generalização. Afinal, cada grupo (seja dividido por idade, renda, localização, se mora no campo ou na cidade, se gosta mais ou menos de causas ambientais etc) tem interesses e grau de preocupação variáveis. No geral, quem tem carro não quer deixar de usar carro para preservar a qualidade do ar. Quem está sem energia elétrica e sem televisão em casa quer ter esses bens e serviços. O aspecto central que eu quis analisar é que para prover bens e serviços para todos, é preciso ampliar a capacidade de oferta de água, coleta de esgoto, geração de energia elétrica, ou seja, infraestrutura (independentemente se as pessoas querem consumir muito ou pouco de tudo o que está disponível para ser consumido). Abraço!

    Por Davi Schweitzer, em 14/09/2011 às 23:25

    Discordo, especialmente do seguinte: "O que acontece é que a sociedade, atualmente, não está mais disposta a construir sem qualquer medida de preservação. Na média, as pessoas querem que o crescimento econômico aconteça em bases sustentáveis. O problema é que isso provoca, muitas vezes, restrições – e ninguém quer tais restrições no próprio quintal." Sua noção de "sociedade" parece uma generalização, uma projeção de quem pensa como você. A sociedade, e especialmente aquela que mais se beneficia do crescimento econômico - os mais pobres - está muito mais preocupada em colocar comida na mesa, em pagar a conta da energia elétrica e comprar seu carro para dispensar a lotação que preservar a volta do Xingu ou debater a recuperação de APPs degradadas até 2008. Não se iluda: entre um benefício ambiental difuso, distante e invisível e facilidades imediatas e facilmente mensuráveis, a esmagadora maioria da população relega a questão ambiental a segundo plano. Aqui, nos EUA, na China ou onde quer que seja.

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