Abra o olho e cuidado com as quedas!
Uma das boas notícias sobre diagnóstico precoce de Mal de Alzheimer vem de Paris, mas é resultado de um estudo australiano apresentado na Conferência Internacional da Associação pelo Alzheimer, realizada no último domingo na capital francesa. A Comunidade Científica e Organização de Pesquisa Industrial da Austrália acredita que é possível identificar alterações nos vasos sanguíneos da retina para detectar a doença mais cedo.
Segundo notícia do Globo, a equipe do pesquisador Shaun Frost descobriu diferenças de calibre entre vasos na retina de pacientes saudáveis e de doentes. Para os cientistas, haveria também nos olhos dos doentes de Alzheimer grandes depósitos de plaquetas de uma proteína relacionada à doença. É mais fácil obter imagens da retina do que do cérebro, e isso facilitaria o diagnóstico.
Outro estudo voltado a detectar o Alzheimer antes que os problemas de memória comecem relaciona as quedas frequentes com possibilidades de desenvolver a doença. A Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, pesquisou tomografias e amostras de fluído espinhal de 125 pessoas que apresentavam sintomas pré-Alzheimer. E concluiu: quem sofre quedas frequentes pode ter duas vezes mais chances de apresentar a doença.
E nós com isso?
Atualmente, os médicos limitam-se a um diagnóstico de provável Alzheimer. Certeza, só na autópsia, o que tem sérias implicações legais. A família de portador de D.A. precisa vencer barreiras burocráticas para conseguir isenção de imposto de renda, acesso aos medicamentos caríssimos, licenças médicas, entre outros desafios cotidianos.
Obter a curatela também é um processo complexo e demorado de interdição com base em demência. Expõe o doente à insensibilidade dos tribunais, em situação constrangedora, estressante e inexplicável para quem se sente perfeitamente são. O doente de Alzheimer tem plena convicção de sua perfeita memória. Ainda que esqueça o nome, o dia da semana, ou quantos anos tem.
Diagnósticos precoces permitiriam maior qualidade de vida ao paciente, antecipando o uso da medicação capaz de retardar os efeitos da doença. Também dariam ao doente as condições e tempo de planejar o próprio futuro.
Precisamos de pesquisas sérias porque se as pessoas soubessem que têm risco de desenvolver o Mal de Alzheimer poderiam exigir políticas públicas e serviços privados de qualidade para garantir uma velhice digna. Apesar da doença, ainda sem cura.
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[...] Uma das boas notícias sobre diagnóstico precoce de Mal de Alzheimer vem de Paris, mas é resultado de um estudo australiano apresentado na Conferência Internacional da Associação pelo Alzheimer, realizada no último domingo na capital francesa. A Comunidade Científica e Organização de Pesquisa Industrial da Austrália acredita que é possível identificar alterações nos vasos sanguíneos da retina para detectar a doença mais cedo. Segundo notícia do Globo, a equipe do pesquisador Shaun Frost descobriu diferenças de calibre entre vasos na retina de pacientes saudáveis e de doentes. Para os cientistas, haveria também nos olhos dos doentes de Alzheimer grandes depósitos de plaquetas de uma proteína relacionada à doença. É mais fácil obter imagens da retina do que do cérebro, e isso facilitaria o diagnóstico. Outro estudo voltado a detectar o Alzheimer antes que os problemas de memória comecem relaciona as quedas frequentes com possibilidades de desenvolver a doença. A Universidade de Washington em St. Louis, nos EUA, pesquisou tomografias e amostras de fluído espinhal de 125 pessoas que apresentavam sintomas pré-Alzheimer. E concluiu: quem sofre quedas frequentes pode ter duas vezes mais chances de apresentar a doença. E nós com isso? Atualmente, os médicos limitam-se a um diagnóstico de provável Alzheimer. Certeza, só na autópsia, o que tem sérias implicações legais. A família de portador de D.A. precisa vencer barreiras burocráticas para conseguir isenção de imposto de renda, acesso aos medicamentos caríssimos, licenças médicas, entre outros desafios cotidianos. Obter a curatela também é um processo complexo e demorado de interdição com base em demência. Expõe o doente à insensibilidade dos tribunais, em situação constrangedora, estressante e inexplicável para quem se sente perfeitamente são. O doente de Alzheimer tem plena convicção de sua perfeita memória. Ainda que esqueça o nome, o dia da semana, ou quantos anos tem. Diagnósticos precoces permitiriam maior qualidade de vida ao paciente, antecipando o uso da medicação capaz de retardar os efeitos da doença. Também dariam ao doente as condições e tempo de planejar o próprio futuro. Precisamos de pesquisas sérias porque se as pessoas soubessem que têm risco de desenvolver o Mal de Alzheimer poderiam exigir políticas públicas e serviços privados de qualidade para garantir uma velhice digna. Apesar da doença, ainda sem cura. http://www.observadorpolitico.org.br/2011/07/abra-o-olho-e-cuidado-com-as-quedas/ [...]